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Fim de semana de greves nos transportes

Trabalhadores da CP, Transtejo, Soflusa, Metro de Lisboa e Carristour têm greves marcadas para este fim de semana. Aumentos salariais para enfrentar escalada dos preços são a reivindicação comum.
Foto de Paulete Matos.

Este domingo serão poucos os comboios a circular no país, prevê Luís Bravo, dirigente do do Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante (SFRCI). Em declarações à agência Lusa, o sindicalista antecipa que “vai ser uma greve muito forte, possivelmente não haverá quase comboios".

"Sabemos que é um dia de festa, mas [a greve] perturba menos os utentes. Aqueles que nós transportamos, sabemos que são da mesma condição social que nós e tentamos procurar não prejudicar quem vem trabalhar”, acrescentou o dirigente sindical.  

Estes trabalhadores estão contra o Acordo de Empresa proposto pela Administração da CP, que os deixa “completamente desprotegidos” face ao aumento da inflação e dos custos energéticos. “Os trabalhadores dos transportes, afetos aos comboios e às bilheteiras, que começam o seu turno às cinco, seis ou sete da manhã e que se retiram depois da meia noite, têm que se deslocar em viaturas próprias e, com o aumento dos combustíveis, neste momento, cerca de 20% do seu salário já vai só para se fazerem deslocar para o trabalho”, apontou Luís Bravo.

Lisboa sem Metro na noite de Santo António

No Metro de Lisboa, a luta por melhores salários junta-se à exigência de mais contratações e melhores condições de trabalho. E tem-se acentuado nos últimos meses, com várias greves parciais ao início da manhã em dias de semana. Desta vez, a greve aos serviços especiais e ao trabalho suplementar vai parar a circulação na noite das festas da cidade, de domingo para segunda-feira. Segundo Anabela Carvalheira, da Fectrans, o Metro de Lisboa encontra-se com “muita falta de trabalhadores na área operacional”, uma situação que está na origem dos “principais problemas que existem no Metropolitano de Lisboa”. No final de maio, a administração anunciou a redução na oferta de transportes para não sobrecarregar mais os horários. Mas os trabalhadores insistem que o problema não é novo e têm alertado para ele ao longo dos cinco anos de mandato da atual administração da empresa.

“Por outro lado, em relação à negociação coletiva, a matéria apresentada pelo conselho de administração foi muito insuficiente para os trabalhadores que há muitos anos não veem melhoradas as suas condições salariais”, referiu a sindicalista à agência Lusa.

900 carreiras fluviais suprimidas desde fevereiro por falta de trabalhadores

Também os trabalhadores da Transtejo e Soflusa há muito exigem a contratação de mais pessoal para compor as tripulações, nomeadamente de mais 13 maquinistas. Carlos Costa, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores Fluviais, disse à Lusa que os contrangimentos causados pela falta de trabalhadores já levaram desde fevereiro “à supressão de 900 carreiras, numa média de 20 por dia”. E recusam a proposta de aumento de 0,9% quando a inflação ultrapassa os 7%.

Desta vez, a greve na Transtejo acontece este sábado e domingo e na Soflusa os barcos vão parar no domingo e na segunda-feira.

Na Carristur, que opera em circuitos turísticos em várias cidades e em particular em Lisboa, onde tem também o exclusivo dos elétricos turísticos e um serviço de transporte entre o aeroporto e os principais hotéis, a greve ao trabalho extraordinário marcada para sábado e domingo insere-se na luta pelo aumento salarial de 70 euros, entre outras reivindicações, após a administração ter interrompido o processo de negociação do Acordo de Empresa. Na reunião de conciliação pedida pelos sindicatos ao Ministério do Trabalho, a empresa afirmou que irá retomar as negociações quando forem nomeados os novos administradores.

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