O movimento estudantil que ocupou várias escolas e faculdades em novembro passado vai cumprir a promessa de retomar as ocupações pelo fim do uso de combustíveis fósseis até 2030. Assim, a partir de 26 de abril, o coletivo "Fim ao Fóssil: Ocupa" vai promover mais ocupações de escolas e faculdades, juntando à reinvindicação inicial a da eletricidade 100% renovável e acessível para todas as famílias até 2025.
Segundo o comunicado enviado às redações, além dos estabelecimentos de ensino ocupados em novembro estão previstas ocupações para as escolas secundárias Rainha D. Leonor, D. Luísa de Gusmão, José Gomes Ferreira, e Josefa de Óbidos, bem como a Faculdade de Belas Artes e a Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa, além de escolas em Coimbra, Faro e Setúbal.
“Desta vez ocuparemos mais escolas e seremos mais disruptivos do que no outono. Precisamos de disrupção para parar a destruição”, com o objetivo de “garantir que as nossas reivindicações são ouvidas, ao mesmo tempo que apelamos à sociedade para tomar ação contra o colapso climático”, prossegue Teresa Núncio.
Durante as ocupações de novembro, os estudantes retirados à força por ordem do diretor da Faculdade de Letras foram condenados em dezembro a pagar uma multa por desobediência civil e angariaram dinheiro para pagar essa pena considerada injusta. O dinheiro que sobrou dessa angariação servirá para ajudar a financiar as ocupações de abril, adianta o movimento.
Os estudantes garantem que a ocupação continuará até que pelo menos 1.500 pessoas subscrevam o compromisso de "tomar ação connosco para parar o crime que está a ser cometido contra as nossas vidas, participando no protesto coletivo de resistência civil de Parar o Gás".
Esta ação de desobediência civil está agendada para o dia 13 de maio e promete ser "o protesto coletivo de resistência civil mais criativo e disruptivo que Portugal já viu", com o objetivo de travar o funcionamento da entrada principal de gás fóssil em Portugal, o terminal de Gás Natural Liquefeito no Porto de Sines. E os estudantes desafiam o secretário-geral da ONU, António Guterres, a subscrever o compromisso para participar nesta ação.