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Fidelidade perde 16 milhões com a falência da Thomas Cook

O grupo chinês Fosun era o maior acionista da Thomas Cook e levou a Fidelidade a investir na operadora, da qual passou a deter 7,23%. A falência leva a seguradora a perder 16 milhões de euros. As repercussões da quebra da operadora continuam a fazer-se sentir em boa parte do mundo.
Fidelidade - Foto de Joehawkins, Wikimedia
Fidelidade - Foto de Joehawkins, Wikimedia

Soube-se no início desta semana que a Fidelidade detinha 7,23% da Thomas Cook, “através de uma empresa participada não seguradora”. A seguradora esclareceu que o investimento era “meramente financeiro” e não tinha “qualquer participação na gestão corrente” da operadora turística, noticiou o Eco.

A Fidelidade anunciou também que a falência “gera agora a necessidade de reconhecer até ao final do ano perdas de cerca de 16 milhões de euros”, representando cerca de 0,1% do seu conjunto de ativos. No exercício de 2018 já tinha sido registada uma “perda potencial atribuída a esta participação”, tendo em conta a baixa das cotações da operadora e “por medida de prudência”, refere ainda a companhia.

Como noticiámos em 23 de setembro, o grupo chinês Fosun, que detém a Fidelidade, era o principal acionista da Thomas Cook e tentou que a operadora fosse resgatada, tendo apresentado um pacote de 900 milhões libras, que foi insuficiente para o resgate.

Repercussões da falência da Thomas Cook

A falência da Thomas Cook continua a provocar repercussões, que têm vindo a ser notícia quase todos os dias. Para além das repercussões no grupo Fosun e na Fidelidade, a Thomas Cook tinha outras seguradoras como acionistas, nomeadamente, segundo o Eco, a Aviva, a Standart Life Aberdeen e a Life & General Group. Tinha também outros investidores institucionais como a UBS, a Blackrock, a Invesco , Barclays e Vanguard.

Segundo o Público, os prejuízos provocados pelo afundamento da operadora turística representam para Portugal, sobretudo no Algarve e na Madeira, menos cerca de 100 mil turistas e uma queda nas receitas do turismo estimada em mais de um milhão de euros por ano.

Em notícia divulgada nesta terça-feira, 1 de outubro, o presidente da Confederação Espanhola de Hotéis e Alojamentos Turísticos, Juan Molas, declarou que a falência da operadora turística provocará o encerramento, “de forma imediata”, de 500 hotéis em Espanha. Segundo o Negócios, destes 500 hotéis, 100 dependiam exclusivamente da operadora turística e, nos restantes 400, o volume de clientes dela variava entre 30 e 70%.

As apostas do grupo chinês Fosun na Fidelidade

O jornal Público realça que desde que a Fosun comprou a Fidelidade, a seguradora, que já tinha participação na REN, expandiu os investimentos. Em Portugal, comprou a Luz Saúde; no estrangeiro adquiriu em março de 2018 2,55% da cervejeira chinesa Tsingtao. A 31 de dezembro de 2017 detinha 19,53% do Club Med (turismo); 10,49% da empresa alemã Tom Tailor (retalhista de vestuário); e, como referimos acima, 7,3% da Thomas Cook.

O grupo chinês Fosun detém em Portugal, segundo relatório anual de 2018, 85% da Fidelidade, 80% da Fidelidade Assistência e 80% da Multicare – Seguros de Saúde. Fosun e Fidelidade, em conjunto, detêm mas de 98,79% da Luz Saúde. O grupo chinês controla ainda 27,25% do banco BCP.

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