Está aqui

Festival Internacional de Cinema sobre urânio em Nelas

Uranium Film Festival é um festival internacional que mostra cinema dedicado à exploração de urânio e aos problemas decorrentes da exposição à radioatividade. Acontecerá este ano em Nelas a partir de sexta-feira para lembrar a mina da Urgeiriça. A organização salienta as suas preocupações ambientais.
Manifestação contra os efeitos da radioatividade das minas.
Manifestação contra os efeitos da radioatividade das minas. Foto de ATMU. Fonte Facebook.

“Não mais mortes por exposição à radioatividade. Não às alterações climáticas.” Com este lema, o Uranium Film Festival vai trazer 12 filmes e vários debates sobre urânio e clima a Nelas. A partir da próxima sexta-feira, a Casa do Pessoal das Minas da Urgeiriça vai ser um dos locais privilegiados para ver, aprender e questionar a temática do uso urânio e da radioatividade.

Simbolicamente, este festival abre junto ao que foi o poço central das minas da Urgeiriça onde vai ser apresentado um trabalho sobre o futuro Museu Mineiro da Urgeiriça. A mina de urânio da Urgeiriça começou a laborar em 1913 e só fechou em 2000 deixando o ambiente contaminado e os trabalhadores com a saúde deteriorada. Depois, para além de Nelas, o festival vai passar também pelo Instituto Politécnico de Viseu no sábado e pelo Auditório da Biblioteca Municipal de Mangualde no domingo.

Aos filmes juntam-se seis mesas redondas sobre saúde, ambiente e associativismo.

O responsável português pelo festival é António Minhoto, presidente da Associação dos Ex-Trabalhadores de Minas de Urânio. À Lusa declarou que o evento “dá grande relevância às questões da saúde e exames que defendemos que sejam feitos”. Para disso, o festival pretende contribuir para o conhecimento sobre recuperação das minas abandonadas.

Na edição do ano passado, António Minhoto, ex-trabalhador do complexo mineiro, tinha sido homenageado pelo seu trabalho na associação ambientalista AZU, Ambiente em Zonas Uraníferas, e na ATMU. Minhoto lembrou na ocasião os problemas de ventilação da mina, como o urânio era transportado em caminhões abertos expostos ao vento e homenageou os restantes colegas de trabalho.

O filme Cem anos da Urgeiriça também foi distinguido no mesmo festival. Realizado por James Ramsay Cameron em 2016, é um documentário que conta a história destas minas e, por exemplo, como produziram material para as bombas atómicas britânicas ou material para Saddam Hussein.

Do programa deste ano, consta ainda a exibição da reportagem feita por Mafalda Gameiro para a RTP sobre esta mesma mina e intitulada O Mal da Mina. Aborda as doenças causadas pela laboração na mina, nomeadamente as mortes por cancro de trabalhadores. Destaque ainda para Yellow Cake. A sujeira por detrás do urânio, um documentário de Joachim Tschirner sobre a mina de Wismut, que foi a terceira maior mina de urânio do mundo, e o processo de limpeza de que foi alvo de forma a minimizar impactos ambientais.

Fundado em 2010 no Rio de Janeiro por Norbert Suchanek e Marcia Gomes de Oliveira, o Festival Internacional de cinema sobre Urânio já aconteceu também na Alemanha, na Índia e nos EUA. Desde o seu início, não pretendeu apenas ser uma mostra de cinema temática mas sobretudo um evento ambientalista e educativo que levanta questões sobre a mineração do urânio, a energia nuclear e a radioatividade e as questões relacionadas com as armas nucleares.

A iniciativa nasceu do Arquivo Amarelo um projeto cultural e educativo “contra o esquecimento global” que elabora projetos culturais e de educação ambiental. No Brasil, esta associação disponibiliza também um “Cinemateca Atómica” que arquiva e disponibiliza filmes sobre esta temática.

Termos relacionados Cultura
(...)