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Festival de Teatro Académico de Lisboa regressa de 12 a 21 de maio

Depois de uma edição cancelada em 2020 e online em 2021, o FATAL está de volta para a sua 21ª edição. Irão participar 11 grupos de teatro académico de Norte a Sul do país para apresentar 14 espetáculos com entrada livre por várias salas da cidade. Por Jorge Tabuada.

No passado dia 28 de abril, no Auditório da Cantina Velha decorreu a apresentação oficial da programação do FATAL, que este ano não terá grupos de teatro estrangeiros e contará com menos grupos envolvidos em comparação com as anteriores edições.

Maria João Fernandes, produtora executiva do FATAL desde 2018, acompanha os grupos de teatro durante todo o ano e sublinha que o Festival, mais do que uma mostra, é a “promoção de teatro académico e não só um palco”. A atriz Marina Albuquerque, encenadora do GTN, diz que o teatro académico “tem uma maneira de ser própria, não é nem profissional nem amador”.

Os espetáculos são de entrada livre, mas sujeitos à lotação das salas, e estarão divididos em duas categorias, Em Competição e +FATAL.

Dentro dos espetáculos em competição, o público poderá contar no dia 12 de maio com “Nunca te irão perdoar” do Grupo de Teatro do Instituto Superior Técnico na Piscina do IST às 21h30. No dia 13, estará em cena “Era uma vez… ou duas ou três” do grupo ArTec da Faculdade de Letras de Lisboa. A 14 de maio, é a vez do espetáculo “O Inspetor geral” encenado pelo TEUC – Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra. No dia 17, subirá ao palco a peça “Bleed True” pelo grupo ULTIMACTO da Faculdade de Psicologia da UL. Já no dia 19, o Novo Núcleo Teatro da AEFCT encenará “25 fragmentos”. Todos estes espetáculos têm hora marcada para as 21h30 no Auditório Carlos Paredes.

Para o +FATAL inserem-se as peças que não entrarão em competição “onde os grupos candidatos não escolhidos são convidados a mostrar o seu trabalho e provar que o teatro não precisa de uma competição para existir” referem os membros do júri de seleção Paula Garcia, Pedro Marques e Pedro Saavedra. A 13 de maio será possível ver “Memórias de mim” de Anna França e a 14 de maio desempenhar-se-á “Lucidez” de Gheysla Nascimento, ambas no Auditório da Cantina Velha às 19h.  No dia 16 terá lugar “Conflito Preliminar” pelo Grupo de Teatro da Nova no Auditório da Cantina Velha às 19h e ainda, “Ensaio sobre a guerra” pelo Grupo de Teatro de Letras no Auditório Carlos Paredes às 21h. A 18 de maio será a vez de “Casa Dançante” pelo grupo homenageado TUT - Teatro Académico da ULisboa no Auditório Carlos Paredes às 21h30. No dia 20, o Grupo de Teatro de Funcionários da Universidade de Lisboa apresenta “Paisagens” no Auditório da Cantina Velha às 19h e o grupo mISCuTEm leva “Carnívoros” ao Auditório do ISCTE às 21h30. Já no dia 21, o Grupo de Teatro do Politécnico de Setúbal sobe ao palco com a peça “Palhaçadas Absurdas” no Auditório da Cantina Velha às 19h, e o Grupo de Teatro Universitário do Porto encena “Gineceu” às 21h30 no Auditório Carlos Paredes.

A temática das peças mostra-se heterogénea, apesar de se notar uma tendência para assuntos atualmente muito presentes como a guerra e o género, que a produtora Maria João caracteriza como “representativos da vida atual”. Depois de dois anos de interrupção, a produtora reforça que a presente edição “vai marcar pelo retorno”.

Em OUTRAS CENAS engloba-se a programação paralela do Festival, na qual se incluem o workshop de escrita para teatro já realizado a 26 e 27 de abril e o workshop de fotografia para teatro organizado em parceria com o Movimento de Expressão Fotográfica - MEF, iniciado a 5 de maio e que se prolongará até dia 27. Também irá decorrer uma tertúlia organizada pelo Teatro do Bairro Alto no dia 18 de maio às 18h, intitulada “Macbeth, o que se passa na tua cabeça? O CITAC - Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra e a emergência do teatro experimental em Portugal”, que terá como orador Ricardo Seiça Salgado.

Homenagem aos 40 anos do Teatro Académico da ULisboa – TUT

O FATAL segue a tradição de em todas as edições homenagear uma pessoa ou entidade do meio artístico. A homenagem desta edição será prestada ao Teatro Académico da ULisboa – TUT pelos seus 40 anos de atividade. A juntar ao diploma de homenagem já oferecido na apresentação oficial da programação, estará disponível de 15 a 29 de maio no Caleidoscópio uma exposição de fotografia que celebra a história do TUT, que já foi responsável pela realização de mais de 70 espetáculos desde 1981.

O júri deste ano do FATAL selecionado pela Reitoria da Universidade de Lisboa é constituído por Alexandra Sabino, da Câmara Municipal de Lisboa, Miguel Magalhães, da Fundação Calouste Gulbenkian, Marta Rosa, do Centro de Estudos de Teatro da FLUL, Paulo Morais Alexandre, do Instituto Politécnico de Lisboa e pela atriz Teresa Faria.

O júri terá a função de atribuir o Prémio FATAL ao melhor espetáculo apresentado e o Prémio FATAL – Cidade de Lisboa ao espetáculo mais inovador. Maria João sublinha que estes prémios de natureza pecuniária funcionam como um grande sustento para os grupos de teatro poderem continuar a sua atividade e melhorar as suas condições. Já o prémio FATAL – Público, de natureza não pecuniária, será atribuído ao espetáculo mais bem pontuado pelo público. A entrega de prémios e a festa de encerramento do Festival estão marcadas para o dia 27 de maio às 17h no Auditório da Cantina Velha.

Quando questionada sobre a forma como caracteriza o Teatro Académico em Portugal, Maria João remeteu para a importância da liberdade no meio artístico, frisando que o teatro académico "continua a ser um espaço de liberdade" onde os jovens "se podem expressar”. Por seu lado, Marina Albuquerque lamentou a falta de apoios e reconhece que “a precariedade que a cultura sente neste país se estende também ao lado da educação” e que “deveria haver um apoio muito maior ao teatro universitário”.

O Festival conta com a organização da Reitoria da Universidade de Lisboa e com o patrocínio da Câmara Municipal de Lisboa e da Caixa Geral de Depósitos.  

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