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Ferroviários prosseguem greve contra o ataque de Macron às pensões

Depois da mobilização de quinta-feira ter juntado mais de um milhão de pessoas, os sindicatos franceses convocam novas manifestações para a próxima terça. Transporte ferroviário vai continuar parado nos próximos dias.
Foto Jean Paul Romani - Phototheque.org

A França assistiu esta semana ao regresso das grandes greves nacionais, que não se viam desde o fim do século passado. A razão é semelhante. O presidente Macron e o primeiro-ministro Edouard Philippe querem alterar o sistema de pensões, acabando com os diversos regimes para funcionários públicos, privados, independentes e outros, mudando o cálculo sobre o tempo de trabalho para a formação da pensão e retirando direitos conquistados pelos trabalhadores.

Na quinta-feira, a greve trouxe mais de um milhão de pessoas às ruas de França para exigir a retirada da proposta do governo. A resposta surgiu do primeiro-ministro, prometendo negociar a sua proposta e aplicá-la de forma faseada. Mas, tal como aconteceu em dezembro de 1995, os sindicatos não aceitarão menos do que o recuo total de Macron e Phillipe.

Na linha da frente desta luta continuam os trabalhadores ferroviários, que teriam muito a perder com a mudança das regras de acesso à pensão. A paralisação decretada por tempo ilimitado irá continuar nos próximos dias com forte adesão. Este sábado a empresa de transportes ferroviários previa a circulação de apenas 15% dos comboios regionais, um sexto dos TGV. No metro de Paris, foram fechadas algumas linhas.

“Apelamos à continuação do movimento este fim de semana e ao seu reforço a partir de segunda-feira para que o governo não tenhas dúvidas de que queremos a retirada do seu projeto”, afirmou Laurent Brun, líder do principal sindicato dos ferroviários, CGT-Cheminots. Em conjunto com a UNSA Ferroviaire e o SUD-Rail, este sindicato apela às participação nos plenários de segunda-feira e nas manifestações agendadas para 10 de dezembro.

Trabalhar mais tempo para ganhar menos na reforma

Apesar de ter sido eleito com a promessa de manter a idade de reforma nos 62 anos, a proposta do governo apadrinhado por Macron introduz mais penalizações para quem se reforme antes dos 64 anos. A reforma mínima de 1.000 euros que tem sido apregoada pelo primeiro-ministro só seria assegurada a quem se reforme a partir dessa “idade-pivô”, que pode aumentar no futuro. Mas Macron também já admitiu pôr de lado essa “idade pivô” e optar pela duração mínima de trabalho (atualmente fixada em 43 anos para os nascidos após 1973) para se ter direito ao valor completo da pensão de reforma.

Hoje em dia, na maior parte dos regimes, quem se reforme aos 62 anos com menos de 41 anos e 9 meses de descontos não recebe a pensão por inteiro. A idade média dos franceses que se reformaram em 2017 foi de 62 anos e um mês.

O governo quer alterar também a regra para a formação do valor da pensão, introduzindo a média de todo o tempo de carreira em vez da atual média dos 25 melhores anos para os trabalhadores do privado ou a dos seis últimos meses para os do público. Outra alteração proposta é a transformação do valor das contribuições em pontos, que os trabalhadores acumulam ao longo da carreira e são convertidos em euros no momento da reforma. Para complicar as contas, o valor de cada ponto evolui ao longo dos anos de acordo com a ponderação do crescimento económico e do equilíbrio orçamental. Em todo o caso, embora se perceba que serão os funcionários públicos quem mais teria a perder com o regime proposto, o governo não divulgou ainda informação suficiente para que se possam fazer simulações a partir de casos concretos.

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