Está aqui

Fenprof: Sujeitar quase meio milhão de alunos a provas de aferição é uma inutilidade

A limitação dos exames nacionais do 12º ano às disciplinas de acesso à universidade “peca por tardia” e a manutenção das provas de aferição “não tem sentido” porque afasta do “que é essencial: as aprendizagens e a recuperação de laços de sociabilidade afetados pela pandemia” diz a estrutura sindical.
Provas de aferição. Foto da Fenprof.
Provas de aferição. Foto da Fenprof.

A Fenprof reagiu em comunicado ao anúncio do Governo de que iria manter as normas do ano passado relativamente aos exames nacionais do 12º ano e limitar estes exames às disciplinas específicas de acesso ao ensino superior. Sobre isto, a federação sindical lembra que a medida já tinha sido por si defendida e considera que “o anúncio pelo Governo só peca por tardio”, uma vez que “os processos e modos de avaliação devem ser conhecidos desde o início”.

Ao mesmo tempo, o executivo ordenou que se mantivessem as provas de aferição dos 2.º, 5.º e 8.º anos, assim como a prova final de 9.º ano, ainda que apenas com caráter de aferição. Relativamente a esta decisão, a Fenprof diz que “não se esperava, por não ter sentido”. A direção sindical reforça a ideia de que vivemos “mais um ano atípico” e de que o importante seria “recuperar de perdas anteriores e tudo fazer para que não se acumulem novos prejuízos”. Sendo que isto “não tem sido fácil”, “não se compreendem as razões por que o Ministério da Educação e o Governo insistem, sujeitando quase meio milhão de alunos a provas que, no atual contexto, serão inúteis”.

A medida implica ainda “uma sobrecarga de trabalho para os professores chamados a corrigir milhares e milhares de provas” quando importaria “canalizar o esforço para o trabalho com os alunos, incluindo o de recuperação de défices”.

O sindicato não concorda com a justificação do governo, de que isto é preciso para “conhecer o nível de perda dos alunos”, propondo em alternativa que a aferição seja feita “por amostragem e não de forma massiva”.

Para além disso, alega, a justificação “não é convincente” porque “as perdas não foram uniformes, dependendo de inúmeros fatores, muitos deles exteriores à escola”. Ou seja, durante a pandemia "as desigualdades acentuaram-se e as perdas dependeram muito de fatores de natureza familiar, económica e social ou de outros, aleatórios, como os níveis e intensidade da situação epidemiológica verificados em cada comunidade”.

Assim, “as provas de aferição decididas pelo Governo poderão pôr em causa” a avaliação “individualizada e contextualizada” que deve ser feita, “criando uma ideia falsa, porque global e uniformizadora, da situação”. E “levarão, ainda, a que professores e estudantes deixem de se centrar naquilo que é essencial: as aprendizagens e a recuperação de laços de sociabilidade afetados pela pandemia”.

Termos relacionados Sociedade
(...)