Fenprof: “a precariedade dos professores continua a ser aposta do governo”

27 de março 2022 - 16:21

Mais de seis mil professores não vão conseguir vaga de quadro no concurso externo deste ano, estima a estrutura sindical. Grande parte deles têm mais de 15 anos de serviço. Para a Fenprof, o novo ministro conhece todos os problemas do setor só precisa de “vontade e autonomia” para os resolver.

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Rostos da precariedade. Campanha da Fenprof.
Rostos da precariedade. Campanha da Fenprof.

Segundo contas da Fenprof, apresentadas este sábado, 6.105 professores que representam necessidades permanentes do sistema não entrarão no próximo concurso para quadros do Ministério da Educação. O ministério da Educação abriu para este ano 3.259 vagas para entrada nos quadros mas os professores contratados desde o início do ano em horários completos e anuais são 9.364. Desses, cerca de 4.500 têm mais de 15 anos de serviço.

Para Mário Nogueira, dirigente da federação sindical, citado pelo Jornal de Notícias e pela Lusa, isto “significa que a precariedade continua a ser aposta do Governo” e “é um sinal que não gostaríamos de ter” na altura em que João Costa se prepara para assumir a pasta. Trata-se de alguém, diz o líder sindical, que “não precisa de 100 dias de estado de graça para conhecer os dossiês” e que “sabe perfeitamente o que tem de fazer, tem é de ter vontade e autonomia para o conseguir fazer".

O ainda secretário de Estado “tem a noção de que há um subfinanciamento da educação”, e que “os problemas que as escolas têm decorre desse subfinanciamento que procuraram resolver nos últimos tempos à custa dos fundos europeus e agora pretendem à custa da municipalização”. Igualmente conhece o problema da falta de professores que “é disfarçado com o recurso pelas escolas a muitas pessoas que não são habilitadas para a docência”, sendo preciso, para melhorar a atratividade da profissão, “valorizar as carreiras” e “combater a precariedade” para “rejuvenescer o corpo docente”.

Mário Nogueira falava na sequência da aprovação pelo Conselho Nacional da Fenprof do caderno reivindicativo a apresentar ao novo governo. A estrutura também apresentará à Assembleia da República uma petição com mais de 20 mil assinaturas onde se reclamam soluções para a situação de precariedade laboral dos professores, para a falta de professores nas escolas, avaliação de desempenho e para o regime de aposentação.

O caminho passa, defende, por um reforço urgente de recursos financeiros e humanos para as escolas “sob pena de estoirar rapidamente com o corpo docente que têm”.