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"Fascismos não surgem do nada, são construídos das vidas sofridas"

Marisa Matias visitou as Minas da Panasqueira, onde afirmou que “numa altura em que voltam a pairar sobre a Europa as sombras do fascismo, é muito importante termos memória, é um passo fundamental para construirmos o futuro”.
Marisa nas Minas da Panasqueira. Foto de Paula Nunes.

Em visita ao Cabeço do Pião, lugar das Minas da Panasqueira, cuja visita “não é um acaso”, Marisa Matias afirmou ser necessário promover a criação de emprego, “um emprego sustentável mas que tenha direitos  e que seja a antítese das condições de trabalho que ouvimos aqui hoje”, identificando o combate à precariedade como fundamental.

A candidata europeia lamentou ainda o abandono de que foram vítimas aquelas populações, já que segundo Marisa “estas questões estão todas ligadas” e pediu “investimento público que permita que os serviços públicos cheguem às pessoas onde elas deixaram de os ter”.

“Nós tivemos aqui nas Minas da Panasqueira e o que vimos foi não apenas a memória do que foi um dos piores momentos da história da Europa” como “depois de terem explorado milhares de trabalhadores, de se terem perdido tantas vidas, o que acabou por acontecer foram vários territórios deixarem as populações completamente ao abandono e é essa a situação que se vive aqui hoje”, frisou, recordando as palavras de um habitante que dizia que aquela passou a ser a terra dos pobres. “É a responder àqueles e àquelas que ficam na terra dos pobres que podemos combater estas sombras que pairam sobre a Europa e que ameaçam o próprio projeto europeu”, respondeu Marisa.

Na opinião da eurodeputada, essas sombras que pairam sobre a Europa dizem também respeito aos fascismos que crescem na Europa e que “não surgem do nada” mas “são construídos normalmente na sequência de crises e da falta de resposta aos problemas das pessoas, quase sempre numa situação de exploração de quem trabalha, criando uma ideia de ressentimento entre as pessoas e um discurso de ódio”. Assim, defende que a solução passa por responde àquilo que são os problemas concretos das pessoas: “quando há partidos de natureza fascista a crescer na União Europeia neste momento, eles alimentam-se e nós sabemos que são construídos e precisamos de ir às causas e àquilo que são as necessidades das pessoas para que eles não sejam alimentados”, sublinhou.

Emprego com direitos, acesso a serviços públicos, mobilidade e condições para viver foram destacados pela candidata bloquista, que diz ser ainda necessário confrontar Bruxelas para aumentar a reforma destas pessoas “que ganharam miseravelmente durante toda a sua vida” e “têm direito a reformas melhores do que aquelas que têm”.

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