Farmácias hospitalares: falta investimento e profissionais

01 de abril 2019 - 14:21

O Bloco apresentou um projeto de lei que tem como objetivo assegurar condições dignas de funcionamento para as farmácias hospitalares. O partido considera que é necessário e possível investir na contratação de trabalhadores e na melhoria das instalações.

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Foto de Toni Blay/Flickr

As farmácias hospitalares não vivem dias fáceis. Segundo o Bloco, falta investimento em equipamento, instalações, e faltam profissionais, desde farmacêuticos a técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica, assistentes técnicos e assistentes operacionais. Avança-se que serão precisos “cerca de 150 farmacêuticos nos hospitais do SNS e igual número de técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica, aos quais acrescem necessidades de assistentes técnicos e assistentes operacionais”. Mas acredita-se que estas contas deverão ser afinadas de um “levantamento de necessidades de todas as farmácias hospitalares do Serviço Nacional de Saúde”.

O Bloco sublinha que este investimento é “preciso” e que o governo o pode fazer “de imediato”.

É preciso dada a importância das farmácias hospitalares: “serviços fundamentais para os hospitais e para os utentes”. Porque adquirem, gerem, preparam e distribuem os medicamentos em contexto hospitalar. Para além de fazerem a sua revisão terapêutica, confirmação das dosagens e interações com outros fármacos, passando ainda pela monitorização e avaliação da inovação terapêutica e dos ensaios clínicos.

Para além disso, este é um investimento que pode ser, segundo o Bloco, feito “de imediato” uma vez que o Orçamento para a saúde aumentou 696 milhões de euros nas receitas e 520 nas despesas. Dinheiro que deve ser aplicado “na contratação de mais profissionais e no aumento do investimento do Serviço Nacional de Saúde”.

No projeto de lei em que dá resposta a esta questão, o Bloco desdobra-se em exemplos. No Centro Hospitalar Universitário de Coimbra, no Centro Hospitalar de São João, no hospital Santo António, no Algarve, no Centro Hospitalar Lisboa Central e no Alentejo, existem “necessidades enormes” de pessoal, nas palavras da própria bastonária da Ordem dos Farmacêuticos. No Centro Hospitalar de São João a falta de trabalhadores levou à redução de horários de atendimento a pacientes. No Algarve, esta mesma situação vai fazer com que a Unidade de Portimão do Centro Hospitalar e Universitário do Algarve (CHUA) deixe, “durante alguns dias”, de preparar a quimioterapia para os doentes seguidos neste hospital, transferindo a preparação desta terapêutica para a unidade de Faro.

A falta de condições fica ilustrada pela inspeção que o Infarmed fez em outubro de 2016 a 26 hospitais e que detetou situações irregulares no manuseamento de medicamentos oncológicos, resultando na suspensão da atividade da farmácia hospitalar dos hospitais de Aveiro, Beja e Caldas da Rainha.

O Bloco revela ainda que, no hospital de Gaia, a farmácia hospitalar funciona num pré-fabricado sem condições de trabalho ou de segurança e com funcionários a menos. E que no Centro Hospitalar de Entre o Douro e Vouga falta equipamento de preparação de medicamentos para os doentes oncológicos.

Por tudo isso, o Bloco pretende, para além da contratação dos profissionais em falta, que seja feito um “levantamento de necessidades de investimento em equipamentos e melhoria de instalações das farmácias hospitalares do SNS”. E, no mesmo projeto, levanta ainda a questão da especialização dos farmacêuticos. É necessário abrir vagas para a especialização, nomeadamente na área hospitalar.