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Faltam trabalhadores no turismo, mas pelo salário mínimo

Setores ligados ao turismo, como o alojamento e restauração, estão em grande crescimento e sofrem de falta de pessoal, mas sobem pouco os seus salários, que estão a ser apanhados pelo salário mínimo em aumento nos últimos anos, revelam dados do INE.
Foto de Paulete Matos.
Foto de Paulete Matos.

O desemprego em Portugal desceu nos últimos anos e os setores ligados ao turismo, como a restauração ou a construção, têm dificuldade em recrutar, mas o salário mínimo é a referência para cada vez mais trabalhadores, pois os salários médios não estão a acompanhar o seu aumento, revelam dados do INE analisados pela Dinheiro Vivo.

Os dados das estatísticas do emprego do INE baseiam-se nas declarações de remuneração entregues pelas empresas à Segurança Social, um indicador fiável da situação de 3,6 milhões de trabalhadores em 400 mil empresas, maioritariamente do setor privado.

A tendência é clara. Nos últimos anos, o salário mínimo passou de 485 para 600 euros, um aumento de 24%, ou 19% descontando a inflação. Mas o salário médio subiu apenas 10% para cerca de 950 euros, ou 5,8% sem inflação (excluindo subsídios de férias e natal). Ou seja, o salário mínimo aumentou três vezes mais que o salário médio, e constitui a regra para um número crescente de trabalhadores e setores. Vale hoje 63% do salário médio, quando em 2014 valia 56%.

O nivelamento pelo salário mínimo é mais evidente em setores como a restauração e o alojamento, muito ligados ao turismo. Aqui, o salário médio é de 687 euros, pouco mais que o salário mínimo de 600 euros — 14,5% mais, para ser preciso, quando há cinco anos era 21% mais. No trabalho administrativo e agricultura o extra sobre o salário mínimo também desceu para menos de 20%. Na agricultura, ganha-se em média 674 euros por mês, 12% acima do salário mínimo. Na construção, ganha-se 792 euros, um extra de 32%, mas há cinco anos era 42%.

As atividades imobiliárias, o alojamento e restauração têm agora mais 46% de trabalhadores que em 2014, o maior aumento setorial. No primeiro trimestre deste ano, havia no turismo e comércio 12 mil postos de trabalho por preencher, mais 55% que no ano anterior e mais de um terço do total de postos sem trabalhadores no país.

Ou seja, apesar de sinais recentes de abrandamento, o turismo e atividades a ele associadas é dos setores que mais cresce e enfrenta carências de pessoal, mas nem por isso aumenta os salários na medida do seu crescimento. O aumento do salário mínimo está a beneficiar todos os trabalhadores, mas mais aqueles que já o ganhavam, menos os que estavam um pouco acima na hierarquia salarial. E por outro lado o aumento de emprego e salários é contrabalançado pelo aumento de rendas e do custo de vida, sobretudo em cidades como Lisboa e Porto

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