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Faltam planos de combate às alterações climáticas nas cidades

Relatório de ONG mostra que metade das cidades mundiais não tem planos para enfrentar alterações climáticas, o que coloca em risco acrescido 400 milhões de pessoas. Das 25 cidades portuguesas analisadas, 76% têm este tipo de planos.
Escultura verde em Brighton da autoria de Kathryn Jordan e Cliff Wright. Foto de Dominic Alves/Flickr.
Escultura verde em Brighton da autoria de Kathryn Jordan e Cliff Wright. Foto de Dominic Alves/Flickr.

Um relatório publicado esta quarta-feira pela CDP, uma organização não governamental que avalia o impacto ambiental de empresas, cidades e países, mostra que centenas de cidades a nível mundial não estão a preparar-se para lidar com os efeitos das alterações climáticas, o que poderá colocar em risco acrescido 400 milhões de pessoas em todo o mundo.

O documento, intitulado Cidades a caminho de 2030. Construindo um planeta resiliente e com zero emissões para toda a gente, mostra a continuação do aumento das áreas urbanas, nas quais vivem mais de metade da população mundial, e a sua exposição crescente às ameaças das alterações climáticas como ondas de calor, cheias e poluição. Face a isto, a diretora europeia da organização, Mirjam Wolfrum, salienta a “necessidade urgente de agir e de implementar medidas para manter os cidadãos a salvo”.

O CDP analisou dados de 812 cidades a nível mundial, 93% das quais enfrentam “ameaças significativas” no plano ambiental e 60% sofrem de problemas “substantivos” de segurança no abastecimento de água. Concluiu que 43% de entre elas não têm qualquer plano de adaptação às alterações climáticas.

A organização foi ver ainda algumas das estratégias que estão a ser utilizadas pelas autarquias para responder às alterações climáticas. 20% das cidades estão a plantar árvores, 18% fizeram mapas de cheias, em 14% há sistemas de gestão de crise como planos de evacuação. Outras medidas de melhoria do ambiente estão também a ser postas em prática em muitos pontos do globo como melhorias nos transportes (16%), aumento do uso de energia renovável (12%), melhoria da gestão de água (12%) e do lixo (11%).

Contudo, um quarto destas cidades dão conta de limitações orçamentais que estão a impedir uma ação mais eficaz. E, quanto a este tipo de restrições, o CDP lembra que os pacotes de estímulo económico no âmbito da pandemia são “uma imensa oportunidade para apoiar uma recuperação verde e justa”.

Algumas das cidades portuguesas também são referidas no documento. Das 25 analisadas, 76% das quais têm planos de adaptação às alterações climáticas. Ao todo, há 157 cidades europeias incluídas no estudo. Para avançarem com projetos de defesa das consequências das alterações climáticas, precisariam de mais 10 mil milhões de euros. O CDP revela que a Europa tem a taxa de mortalidade mais elevada devido a ondas de calor e que no espaço da UE uma em cada oito mortes é relacionada com a poluição.

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