Está aqui

Falta de médicos provoca demissão de chefes de equipa no Garcia de Orta

Chefes de equipa das urgências dizem que a escala de dezembro tem vários dias com um número "abaixo dos mínimos" para o bom funcionamento do serviço. E mantêm o pedido de demissão até que as medidas de reforço de equipas sejam implementadas.
Hispital Garcia de Orta. Foto Câmara Municipal de Almada/Flickr

Numa carta dirigida ao diretor clínico do Hospital Garcia de Orta, em Almada, à presidente do Conselho de Administração e à diretora do Serviço de Urgência, os chefes de equipa do Serviço de Urgência Geral (SUG) do Hospital Garcia de Orta, em Almada apresentaram a demissão dos seus cargos.

A razão da demissão é o protesto pelo que consideram ser o funcionamento "abaixo dos mínimos" previsto nas escalas de dezembro, onde constam vários dias com apenas um ou dois elementos.  

“Não podemos como chefes de equipa, assistentes hospitalares de medicina interna e médicos deste hospital aceitar chefiar uma equipa de urgência nas presentes condições de trabalho e paupérrimas condições de prestação de cuidados no SUG como se encontram atualmente”, salientam na missiva tornada pública pelo Sindicato Independente dos Médicos e citada pela agência Lusa.

A administração do hospital reuniu com os chefes de serviço demissionários esta terça-feira, prometendo tomar medidas para o reforço das equipas. Estes afirmam que a escala de dezembro, à semelhança das apresentadas nos últimos meses, normaliza uma equipa constituída por quatro elementos (ou menos), um número insuficiente para dar resposta às necessidades naquele serviço de urgências. Segundo a agência Lusa, no final da reunião declararam manter o pedido de demissão, admitindo retirá-lo após verificarem se as medidas prometidas pela administração serão eficazes e aplicadas nas próximas semanas.

A acrescer a isso, naqueles quatro elementos incluem-se muitas vezes "colegas sem autonomia para exercer”. A equipa de tarefeiros que assegura a observação de doentes na zona de ambulatório e área de observação clínica “são na maioria pouco diferenciados, com necessidade constante de apoio e discussão com os elementos mais diferenciados das equipas médicas”, acrescentam.

O protesto destes médicos conta com a solidariedade de um candidato a bastonário da Ordem dos Médicos. Nas redes sociais, Bruno Maia reagiu à notícia: "Conheço bem esta urgência. Foi sempre subdimensionada para a população que serve. A situação arrasta-se há vários anos, sem soluções credíveis à vista. Tem profissionais jovens, dinâmicos, empenhados. Mas tudo tem um limite! Solidariedade com estes colegas!", afirmou o candidato e médico neurologista e intensivista.


Notícia atualizada às 17h com a informação do resultado da reuniao desta terça-feira entre a administração do hospital e os chefes de equipa demissionários.

Termos relacionados Saúde
(...)