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Falta de médicos põe urgência pediátrica de Évora em risco

A urgência pediátrica do Hospital do Espírito Santo de Évora está em risco de fechar já na terça-feira. De momento, nem o recurso ao trabalho extraordinário é suficiente para assegurar o funcionamento do serviço de urgência.
Falta de médicos põe urgência pediátrica de Évora em risco
Fotografia de Paulete Matos.

De acordo com uma denúncia do Sindicato dos Médicos da Zona Sul, a urgência pediátrica do Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE) está “em risco de encerrar por falta de médicos” já a partir de dia 1 de setembro. 

Os sindicalistas explicam que o serviço de urgência pediátrica “atravessa uma grave carência de médicos pediatras, o que põe em risco o seu funcionamento” a partir desta terça-feira.

Este serviço de Évora “conta atualmente com seis médicos pediatras, dos quais apenas três realizam trabalho noturno, por questões de limites de idade legalmente previstos, o que faz com que nem o recurso a trabalho extraordinário” seja “suficiente para assegurar a escala de urgência”.

Há vários anos que os médicos denunciam esta situação, tendo esta sido reportada ao conselho de administração do HESE e da Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo. Porém, explicou o sindicato à agência Lusa, “estas estruturas gestoras deixaram deteriorar a situação”.

A administração hospitalar, “em vez de procurar soluções, pressiona os médicos para que preencham as escalas de urgência, mesmo não cumprindo as recomendações mínimas de segurança”, as quais “exigem dois médicos especialistas em presença física”.

“Desde o início da pandemia” da covid-19, o conselho de administração “determinou que o horário semanal destes seis médicos fosse maioritaria ou integralmente cumprido em urgência, com prejuízo da restante atividade assistencial em consulta e internamento”.

Por sua vez, esta situação compromete o acesso das crianças aos cuidados necessários nestes últimos seis meses” e “torna-se particularmente insustentável tendo em conta o acréscimo de afluência expectável no inverno e a necessidade imperiosa de retomar a ‘normal’ atividade assistencial”, lê-se no documento.

“Com o adiamento e a suspensão de consultas e exames, tem-se assistido a um preocupante aumento de patologias graves”, alegou o sindicato, exigindo do HESE e do Ministério da Saúde “a adoção imediata de soluções que assegurem os cuidados e a segurança das crianças e as condições de trabalho dos médicos”.

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