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Falecimento de recém-nascido reaviva preocupações com falta de obstetras no sul

Grávida foi transferida de Faro para o hospital Amadora-Sintra, alegadamente por falta de incubadoras. O recém-nascido acabou por falecer. Caso reaviva preocupações com a falta de médicos nas urgências de obstetrícia no sul do país, que tem marcado o verão.
Foto: Freepik.
Foto: Freepik.

O caso do falecimento de um bebé no hospital Amadora-Sintra, para onde a mãe foi transferida do o hospital de Faro às 32 semanas de gravidez, está a suscitar apreensão entre responsáveis médicos e motivou uma requerimento do Bloco do Esquerda ao Ministério da Saúde para abrir um inquérito que esclareça o que sucedeu.

Segundo noticiou esta quarta-feira o Correio da Manhã, uma mulher teve de ser transferida do hospital de Faro para o hospital Amadora-Sinta, alegadamente por falta de incubadoras no Algarve. Apresentava um quadro de pré-eclâmpsia, que se manifesta em sintomas de hipertensão e descolamento da placenta. Foi submetida a uma cesariana, mas o recém-nascido viria a falecer após a intervenção.

O caso reavivou as preocupações com a falta de médicos nas unidades de obstetrícia do sul do país, que marcou a agenda política nos últimos meses. O presidente da secção sul da Ordem dos Médicos, Alexandre Valentim Lourenço, evitando referir o caso em concreto, lembrou em declarações à agência Lusa que as maternidades da região de Lisboa e sul do país estão a funcionar a meio gás devido à falta de profissionais e as grávidas "andam a saltar de hospital em hospital". Alertou ainda que a maioria dos obstetras já entregou pedidos de escusa de responsabilidade, de forma a que as responsabilidades por eventuais acidentes por falta de meios recaiam sobre os responsáveis hospitalares ou sobre o Ministério da Saúde.

Ao início da tarde de hoje, o bastonário da Ordem dos Médicos reforçou a mensagem. Em declarações também à Agência Lusa, Miguel Guimarães afirmou que a sua Ordem denunciou várias vezes a insuficiência de médicos nas maternidades do sul do país, acrescentando que a constante "circulação de grávidas por falta de condições adequadas" pode trazer riscos e ter "consequências indesejadas". Não sendo as circunstancias do caso ainda conhecidas, elas aconselhavam no seu entender a abertura de uma investigação para apurar se a falta de meios no Algarve foi a razão para a transferência para Lisboa, hipótese na qual "o Ministério da Saúde terá uma responsabilidade".

O Bloco de Esquerda enviou um requerimento no mesmo sentido ao Ministério da Saúde. O texto afirma que "há que acionar os mecanismos inspetivos, nomeadamente a Inspeção Geral das Atividades em Saúde, para que se audite e investigue a correção ou não das decisões e procedimentos tomados", pois "pelo que se sabe, a grávida em questão não foi imediatamente intervencionada no hospital de Faro por falta de incubadoras". Relembrando que "Portugal é um dos países do mundo com melhores indicadores de saúde materno-infantil e é assim que queremos que continue", o requerimento exige resposta a diversas questões suscitadas pelo caso: por que não houve intervenção em Faro, se a falta meios ou de profissionais foi razão para transferir a paciente 300 quilómetros para norte, e se a transferência teve impacto no desfecho do caso.

Entretanto, durante a tarde a administração do hospital Amadora-Sintra anunciou que iria abrir um inquérito para averiguar o caso, em comunicado enviado à agência Lusa.

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