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Faleceu Conceição Pereira: sindicalista e feminista madeirense

Foi dirigente do Sindicato dos Escritórios, fundadora do Sindicato dos Professores da Madeira e deputada regional, militante histórica da UDP e fundadora do Bloco. Foi escritora e dirigente da UMAR. Conceição Pereira deixou-nos na manhã desta quinta-feira.
Conceição Pereira.
Conceição Pereira.

Conceição Pereira nasceu em 1936, na freguesia do Seixal, concelho do Porto Moniz, na Madeira. Resistente anti-fascista, começou a sua politização na Liga Operária Católica Feminina e, mais tarde, no Centro de Cultura Operária.

Ainda durante a ditadura, em 1971, participou na elaboração de uma lista vencedora para o Sindicato dos Empregados de Escritório e Caixeiros.

Depois disso viveu durante um período em França. Em 1975, regressa à Madeira e inscreve-se na União do Povo da Madeira, organização que vai aderir à UDP em finais de 1975, partido pelo qual se candidatou várias vezes em várias eleições. Em 1992, foi deputada na Assembleia Legislativa da Madeira.

Quando o Bloco é fundado, em 1999, Conceição Pereira está entre os fundadores. “Foi uma alegria imensa, fazer política de forma mais alargada, com mais cabeças e mais ideias, assim escrevia sobre esta experiência”. Será, aliás, a primeira a dar a cara pelo partido na Madeira, fazendo parte da primeira lista ao Parlamento Europeu. Imediatamente a seguir, torna-se também a primeira cabeça de lista do Bloco de Esquerda na Madeira nas eleições para a Assembleia da República. Em 2001, foi a mandatária regional da Candidatura presidencial de Fernando Rosas. Vai ser ainda candidata pelo partido em diversas ocasiões, a última será a candidatura à Câmara de São Vicente em 2013 com o objetivo de colocar "a Câmara ao serviço do povo".

Conceição Pereira foi também fundadora do Sindicato dos Professores da Madeira e da UMAR, União de Mulheres Alternativa e Resposta. De ambas as organizações continuou a ser sócia até ao final da sua vida.

Vai igualmente abraçar a escrita, sendo autora de quatro livros.  ‘A vida em movimento’ (1998), ‘Vozes – Vivências clamores Mensagens’ (2016), ‘Caminhando pela Vida’ (2017) e Contos da Minha Terra (2019). Com o seu livro “Vozes: Vivências, clamores, mensagens”, no qual reúne entrevistas a 36 mulheres madeirenses, ganhou a primeira edição do Prémio Maria Aurora que reconhece trabalhos em prol da igualdade de género.

Deixa-nos ainda um testemunho emocionante na série publicada pelo Esquerda Mulheres de Abril. Aí escrevia então: “apesar da idade e das maleitas que me atacam, ainda não desisti da luta por um mundo onde prevaleça o respeito e a justiça social. O que eu gostaria mesmo era de ver a humanidade tomar conta do seu destino e abater os malfeitores que dão cabo da vida dos humanos e até do Planeta Terra.”

E acrescentava: “é este o meu ideal de mulher: interventiva, pensante, autónoma”. Conceição Pereira esteve à altura do seu ideal.

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