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Fábrica de Lousada fecha portas: 150 trabalhadores com futuro incerto

A Sioux Portuguesa fechou portas na segunda-feira e não deixou os 150 trabalhadores entrar.Aos trabalhadores os responsáveis pela fábrica nada dissseram. Estes pensam que a produção será deslocalizada. Resistem em vigília à porta da fábrica.
Foto de Sandro Moscoloni/wikimedia.commons

A fábrica tinha deixado há alguns dias de laborar, alegando falta de encomendas. Sem qualquer pré-aviso, nesta segunda-feira, quando chegaram para trabalhar os trabalhadores depararam-se com o facto das placas com o nome da empresa terem sido arrancadas. E foram impedidos de entrar nas instalações.

Os ordenados até estavam em dia. Mas os trabalhadores temem pelo futuro uma vez que a empresa confirmou, nesta terça-feira, à Câmara Municipal de Lousada a intenção de pedir insolvência. Aos trabalhadores nenhum esclarecimento sobre a situação foi prestado.

Entretanto, por via da Autoridade para as Condições de Trabalho, os trabalhadores conseguiram obter um documento autenticado em que a empresa “declara que por falta de encomendas os trabalhadores estão autorizados a permanecer em casa até ordens contrárias, mantendo o vínculo laboral e a remuneração”.

Com a fábrica fechada os trabalhadores nem por isso ficaram em casa. Preferiram revezar-se em turnos e fazer uma vigília à porta da empresa. Até porque se receia que as máquinas desapareçam do local e que a fábrica seja deslocalizada.

Uma das trabalhadoras, Liliana Ribeiro, considera a forma como a empresa conduziu este processo como humilhante. Em declarações ao jornal “O Louzadense” afirma: “enquanto somos funcionários, somos tratados como tal porque precisam de nós. No momento em que somos descartados, somos postos na rua como se fôssemos cães. Se eles preservam tanto o nome, tinham feito como fizeram os outros grupos: punham tudo direitinho e tinham uma conversa connosco”.

A Sioux Portuguesa é uma fábrica de sapatos localizada na Lousada que emprega 150 trabalhadores. A empresa-mãe é alemã. Há mais de trinta anos que esta fábrica existe e já teve outrora perto de 400 trabalhadores. Houve entretanto vários planos de redução de pessoal. O último dos quais foi o ano passado. Por mútuo acordo cerca de 40 trabalhadores tinham rescindido o vínculo à empresa.

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