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“A extrema-direita nunca fez nada pelo combate à corrupção”

No primeiro debate destas legislativas, Catarina Martins deixou André Ventura sem resposta sobre vistos gold e offshores. Desmontou ainda a sua demagogia sobre prestações sociais e mostrou como as propostas do Chega para os impostos beneficiam os mais ricos.

Na abertura dos debates para as legislativas deste mês, Catarina Martins enfrentou André Ventura e levou a debate o tema da corrupção, os vistos gold e os offshores, desmontando a demagogia da extrema-direita sobre as prestações sociais e salientando como as propostas do Chega para os impostos beneficiam os mais ricos.

O debate começou com a questão sobre eventuais acordos pós-eleitorais à esquerda e à direita. A dirigente bloquista esclareceu que “o reforço do Bloco como terceira força política garante que não há maioria absoluta do PS, não há governo de direita e também que a extrema-direita é posta no seu lugar”. Em seguida, entrou na prioridade que é o “combate determinado à corrupção”, acusando a extrema-direita de nunca ter feito “nada pelo combate à corrupção”.

“Votaram contra” o fim dos vistos gold e sobre os offshores “têm estado caladinhos"

A porta-voz bloquista deu vários exemplos: no combate ao enriquecimento injustificado, a extrema-direita "primeiro fez uma proposta que era inconstitucional e depois faltou à votação da proposta” e quanto à corrupção de clubes de futebol, “nem um pio”. Catarina recordou que quando foi para acabar com os vistos gold “votaram contra” e sobre os offshores “têm estado caladinhos, até porque há empresários amigos que eventualmente não querem que se saiba por onde anda o dinheiro deles”.

Com André Ventura a não responder a nenhuma destas questões, a limitar-se às habituais insinuações e a defender que o Bloco ajudou a tirar “poder de compra” aos portugueses, Catarina Martins ripostou lembrando que que Ventura “era do PSD no momento em que foram feitos cortes brutais nos salários e pensões” e os apoiou.

Socorrendo-se de uma frase “sensata” do Papa Francisco, de que a “extrema-direita não gosta nada”, salientou que “não podemos ignorar que esta economia mata”, acrescentando que “o poder do sistema financeiro corrompe e retira milhares de milhões de euros aos Estados” e que “é preciso ter a coragem para combater a corrupção e crime económico”.

Para a coordenadora do Bloco, ficou provado nas comissões de inquérito que a corrupção está ligada aos esquemas offshore e, assim, para “acabar com o assalto ao país” é preciso “criminalizar as transferências para offshores”. Sobre isso, “não se conhece nenhuma proposta concreta” da extrema-direita, reforçou, concluindo que “não foi nenhum beneficiário do RSI, nenhum pensionista pobre” quem “ganhou milhões com os negócios das barragens, quem estava num hotel na África do Sul, quem tem feito todos os calotes”.

Extrema-direita “defende sempre o sistema financeiro e os milionários, enquanto ataca os trabalhadores pobres”

Para além dos offshores, Catarina questionou a posição do Chega sobre os vistos gold, um partido que defende que os “milionários que têm dinheiro não se sabe como podem ter nacionalidade comprada” mas ataca “refugiados e migrantes de que o nosso país precisa tanto”, que “deram a nossa Segurança Social 800 milhões de euros. Ou seja, “defende sempre o sistema financeiro e os milionários, enquanto ataca os trabalhadores pobres”.

Ao ouvir Ventura repetir que “há metade das pessoas a trabalhar para metade que não trabalha”, Catarina Martins trouxe o rigor dos números para responder: há 200 mil pessoas, 2% da população, de “pessoas tão pobres que precisam de prestações sociais”. E traçou o seu perfil para responder às caricaturas: trata-se de “pessoas que não tiveram carreira contributiva, a maior parte dela mulheres idosas que trabalharam muito em sua casa ou de outros sem descontos para a segurança social” e uma em cada três das pessoas que recebem Rendimento Social de Inserção são crianças. E que entre os beneficiários desta prestação social estão cuidadoras informais, mães de famílias monoparentais, pessoas que trabalham mas que o salário é tão baixo que não saem da pobreza. O Chega defende propostas “cruéis” para quem recebe estas prestações, sublinhou Catarina.

“Percebo o sentimento que existe no país de que há quem trabalhe para quem não trabalha, mas não são os que precisam de apoios sociais e estão na pobreza. São os que a extrema-direita ajuda mantendo vistos gold, offshores, esta cortina de fumo para uma economia que vive da exploração”, prosseguiu a coordenadora do Bloco.

André Ventura continuou a não dar resposta a nenhuma destas questões e a ser “mais previsível do que um disco riscado”, como já lhe tinha lançado Catarina Martins, nos seus ataques. Desta feita, jogou a carta do partido que quer dar dinheiro para migrantes em vez de aumentar pensões.

A dirigente bloquista voltou a recorrer às palavras do Papa Francisco que dizia: “se fosses um migrante e um refugiado e te travassem com arame farpado o que pensavas?” A resposta, para ela, é que “aquilo que um país decente pensa é que um migrante ou um refugiado que foge da guerra e da fome tem de ser acolhido é isso que Portugal pode e deve fazer. E tem capacidade para o fazer ao mesmo tempo que tem capacidade para ter uma economia justa para o país”. E, na segunda parte da resposta, voltou a lembrar que Ventura era do PSD quando este cortou as pensões e “quem garantiu o fim dos cortes foi o Bloco de Esquerda”.

De seguida, antecipou mais um tema: os impostos. Uma matéria que define o país “em que queremos viver: se queremos viver num país em que os pobres são cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos ou num país decente”. A proposta da extrema-direita é, esclareceu, “tornar os mais ricos mais ricos, com borlas fiscais que só beneficiam os mais ricos e que significam perder de receita fiscal 3.400 milhões de euros.

Por exemplo, o “banqueiro que recebia 175 mil euros de pensão ia ter uma borla fiscal de 600 mil euros” e o “deputado que faz a proposta ia pagar metade do paga agora”. A verba que o Chega quer cortar na receita fiscal é “o equivalente ao dobro do salário das nossas forças de segurança”. Ou seja, “para dar esta borla fiscal aos mais ricos precisava de despedir o dobro dos polícias que Portugal tem”. Ventura respondeu com o seu passado profissional na inspeção tributária, omitindo que saiu com licença sem vencimento para trabalhar na Finpartner, empresa especializada em planeamento fiscal e vistos gold. E acabou a acusar o Bloco de ser a favor da isenção de IMI aos partidos, ignorando que foi o único partido a propor a medida no seu programa eleitoral em 2015.

Ventura “é um condenado com trânsito em julgado por racismo”

Catarina Martins também não deixou passar “o que o Chega quis fazer nos Açores”, atacando com “raiva” as 15 mil pessoas que são beneficiárias do RSI, a maior parte mães com vários filhos em famílias monoparentais, recebendo um valor “que é mais baixo do que no resto do país, 83 euros em média por pessoa”.

Depois de mais uma vaga de acusações sem muitas respostas políticas, Catarina Martins recordou outro facto: André Ventura “é um condenado com trânsito em julgado por racismo” e é “a primeira vez que temos alguém a candidatar-se em eleições nos 40 anos democracia nesta condição”. Fez por isso questão de afirmar que “o racismo, a política de humilhar as pessoas é profundamente errada”. E terminou vincando que o voto no Bloco é “o voto que conta para termos uma política decente, o oposto da política da mentira e do ódio que a extrema-direita representa”.

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