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Extrema-direita já negoceia entrada no governo da Suécia

Apesar de os sociais-democratas se manterem como o maior partido, os resultados preliminares da eleição de domingo dão uma vantagem de um mandato ao conjunto dos partidos da direita, que romperam o “cordão sanitário” em relação à extrema-direita.
Jimmie Akesson, líder dos Democratas Suecos. Foto publicada na sua página Facebook

A contagem dos votos das legislativas suecas deste domingo deu 175 mandatos parlamentares aos partidos da direita e 174 aos do centro e esquerda, com 46 mil votos a separar os dois blocos. O resultado final dependerá da contagem dos votos dos eleitores no estrangeiro, que só terá início quarta-feira, alimentando ainda algumas esperanças de a primeira-ministra Magdalena Andersson se manter no cargo.

Apesar de se manter como o maior partido com 108 deputados e 30,8% dos votos, os sociais-democratas viram a extrema-direita dos Democratas Suecos, uma antiga organização abertamente neonazi, tornar-se o segundo maior partido do país, com 73 eleitos e 20,6%, ultrapassando os conservadores do Partido Moderado, que obteve 67 deputados e 19,1% dos votos.

Durante o atual mandato, os dois partidos da direita tradicional - Moderados e Democratas-cristãos, membros do PPE - declararam o fim do “cordão sanitário” imposto à extrema-direita, que agora está na posição de liderança deste bloco político para eventualmente formar governo, caso os votos que faltam contar não alterem o resultado final. No campo dos liberais, que contam com dois partidos, houve uma divisão, com o Partido do Centro a juntar-se ao bloco da esquerda e o Liberal a preferir entender-se com a extrema-direita.

Apesar da incerteza do resultado final, a sede dos Moderados foi esta segunda-feira de manhã o centro das negociações para o assalto ao poder por parte da direita e da extrema-direita sueca. O líder do partido da extrema-direita, Jimmie Akesson, esteve lá para começar a negociar com Ulf Kristersson o próximo governo, enquanto nas redes sociais pede aos apoiantes para terem calma e aguardar pelo resultado final. Outro dirigente dos Democratas Suecos respondeu às declarações de dirigentes dos Liberais, que também estiveram esta manhã na sede dos Moderados, a defender que a extrema-direita não devia ocupar pastas no próximo executivo. “Creio que estamos muito próximos dos Liberais, acho que é pena traçar esse tipo de linha vermelha”, afirmou Richard Jomshof, embora a imprensa sueca diga que o desejo de exclusão do governo é recíproco entre estes dois partidos.

Violência armada e criminalidade foram temas dominantes da campanha

Os incidentes que se têm agravado nos últimos anos de violência entre gangues com armas de fogo foram aproveitados pelos Democratas Suecos para a sua campanha anti-imigração. Uma das suas ações de campanha consistiu em decorar uma carruagem de metro com o título “Expresso do repatriamento”, com o líder do partido a anunciar bilhetes só de ida com destino a Cabul.

Mas o discurso que associava o crime violento à imigração não foi um exclusivo da extrema-direita, com outros partidos a tentarem capitalizar o sentimento de insegurança da população num país onde um terço dos habitantes é imigrante de primeira ou segunda geração.

Partido da Esquerda perde votos a nível nacional e cresce ligeiramente nas grandes cidades

À esquerda, os Verdes sobem ligeiramente para os 5% e conquistam mais dois deputados em relação a 2018, com 16 no total. O Partido de Esquerda deve perder quatro deputados e ficar com 24 eleitos, tendo obtido 6,6% dos votos, embora nas três maiores cidades - Estocolmo, Gotemburgo e Malmö - essa percentagem duplique para valores entre os 13% e os 15%. Os resultados finais das eleições municipais também serão anunciados na quarta-feira e o quadro das possíveis alianças de governação nas maiores cidades, a começar por Estocolmo, ainda é incerto.

A par da eleição geral, foi organizada uma eleição paralela para estudantes do secundário, com a participação de 400 mil estudantes. E aqui a vantagem da direita foi ainda maior, com os Moderados a obterem 27%, os Democratas Suecos 21%, os Social Democratas 16%, os Democratas Cristãos 9%, o Partido da Esquerda e o do Centro ambos com 8% e os Verdes e Liberais com 4%.

A noite eleitoral sueca ficou ainda marcada por um ataque informático aos principais órgãos de comunicação online, numa altura em que decorria a contagem dos votos. O ataque consistia em sobrecarregar os sites com milhares de visitas em simultâneo e conseguiu que alguns ficassem indisponíveis aos leitores durante cerca de uma hora.

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