Na passada terça-feira, dia 30 de julho, manifestantes de extrema-direita que se juntaram para defender a liberdade de nove soldados suspeitos de violência sexual contra um prisioneiro palestino invadiram duas bases militares no centro de Israel.
A mobilização de extrema-direita começou depois de, na segunda-feira, a polícia militar do Exército Israelita (IDF) ter detido nove soldados reservistas que teriam estado de serviço na base Sde Teiman, que é usada pelo IDF como centro de detenção de membros do Hamas envolvidos nos ataques de 7 de Outubro.
Os nove soldados detidos são suspeitos de violência e abuso sexual. Ao New York Times, um médico da base militar disse que o prisioneiro palestiniano em questão lhe tinha sido apresentado há três semana com “sinais de violência no corpo”. Uma investigação da Associated Press já tinha trazido à luz várias violações de direitos humanos e as condições desumanas da base Sde Teiman. A Agência das Nações Unidas de Apoio aos Refugiados da Palestina no Médio Oriente (UNRWA) denunciou relatos de prisioneiros obrigados a despirem-se e a serem fotografados e a serem torturados com golpes nos genitais. As autoridades israelitas negaram consistentemente estas acusações.
Depois de as detenções dos soldados terem sido tornadas públicas, os manifestantes de extrema-direita, que incluíam entre eles o deputado ultranacionalista Zvi Sukkot, juntaram-se em frente à base Sde Teiman para apoiar os soldados. Alguns dos militantes entraram dentro da base, enquanto outros se mobilizaram para a base militar de Beit Lid. Limor Son Har-Melech, deputado de outro partido de extrema-direita, acusou a provedora geral militar de ser uma criminosa e disse que “o poco de Israel lutará contra inimigos de fora e inimigos de dentro”.
O exército israelita foi forçado a mobilizar duas unidades especiais para lidar com os protestos que deflagraram no centro de Israel. Desde 7 de Outubro, estima-se que o exército israelita tenha capturado pelo menos 4.000 palestinianos e levou-os para a base de Sde Teiman, onde a Amnistia Internacional fala de uma prática de “tortura generalizada”.