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Exigência por condições de trabalho juntou sapadores florestais em greve

Com Portugal em pleno período de incêndios, os sapadores florestais - principal meio de gestão florestal, prevenção e de combate aos incêndios - são deixados na precariedade e com salário mínimo.
A greve obteve uma adesão de entre 85 a 100 em todo o território nacional. Foto esquerda.net.
A greve obteve uma adesão de entre 85 a 100 em todo o território nacional. Foto esquerda.net.

Depois das promessas pós-catástrofe 2017, de que passaria a haver gestão da floresta mais permanente e profissionais dedicados a cuidar da floresta, o Governo limitou-se a transferir verbas para os municípios, mas não criou um corpo profissional e com direitos.

Os sapadores florestais estão maioritariamente a trabalhar em organizações privadas a quem os municípios entregam o serviço (associações de produtores florestais, sobretudo). Alguns, menos, estão a trabalhar diretamente para as Comunidades Intermunicipais. Mas todos estão contratados a prazo e todos ganham o salário mínimo.

Com Portugal em pleno período de incêndios, o governo deixou os sapadores florestais - principal meio de gestão florestal, prevenção e combate aos incêndios - na precariedade e sem condições de trabalho. Contratos de três anos, sem carreira, com salário mínimo, com exigência de frequente de horas extra não pagas sendo chantageados de serem considerados "agentes de protecção civil".

A deputada Maria Manuel Rola esteve com os sapadores em greve. Agradecendo em nome do Bloco de Esquerda o trabalho destes profissionais, declarou que “os sapadores florestais recebem salário mínimo por funções máximas. Sabemos desde 2017 que o problema que temos ao nível do ordenamento do território precisa profissionais com carreira, reconhecimento da profissão e do trabalho”.

Alexandre Carvalho, sapador florestal e dirigente do Sindicato Nacional da Proteção Civil, informou, na mesma ocasião, que “a greve nacional obteve entre 85% e 100% de adesão dos trabalhadores em todo o território nacional”, tendo recebido inúmeras mensagens de solidariedade de camaradas em greve em várias localidades do país.

“Os sapadores florestais em Portugal são uma força indispensável e unida”, continuou “Lutamos pela carreira e pelo estatuto profissional. Lutamos por melhores salários, dignos e ajustados às nossas funções. Lutamos pelo reconhecimento e regulação da profissão de sapador florestal para que acabe o abuso laboral que mancha o setor”.

“Muitas entidades públicas e privadas não querem pagar o trabalho suplementar. Querem sapadores escravos”, disse, referindo a pergunta entregue pelo Bloco de Esquerda sobre os bancos de horas ilegais a que estão sujeitos em várias comunidades intermunicipais.

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