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Excesso de medicação com opioides preocupa reumatologistas

O excesso de prescrição de medicação para tratamento da dor está a preocupar a Sociedade Portuguesa de Reumatologia, que também alerta para a falta de reumatologistas nos hospitais portugueses.
Foto de Junta de Andalucía/Flickr

Para Luís Cunha Miranda, presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia (SPR), “é preciso fazer a avaliação da origem da dor. Nós temos uma escala da dor, mas uma coisa é a gravidade da dor, a outra é o tipo de dor”, afirmou em declarações à Lusa. Estes especialistas defendem a necessidade de diagnosticar a doença que está na base dessa dor e não prescrever indevidamente medicamentos que atenuam a mesma.

Luís Cunha Miranda considera mesmo que em alguns países o abuso dos opioides são um enorme problema, referindo também ser necessário aquando do diagnostico perceber se se trata de uma dor por causa inflamatória ou degenerativa.

Para o presidente da SPR, “nalguns casos, se calhar o opioide é desnecessário, porque tem os seus riscos, e o anti-inflamatório ou o corticoide até podem funcionar melhor, mas para isso é preciso fazer um diagnóstico precoce e individualizado”, alertando para que em determinados casos o uso de opioides traz mais malefícios do que benefícios.

Os reumatologistas consideram que é importante definir quando é que se deve recorrer ao uso de opioides, de forma a evitar que estes sejam prescritos sem necessidade, segundo artigo científico assinado por vários especialistas da área, incluindo Luís Cunha Miranda. No artigo defendem também que o tratamento dos doentes deve ser individualizado e que só com um diagnóstico da doença se poderá desenvolver o plano terapêutico.

Para Luís Cunha Miranda “há aumento crescente da prescrição dos opioides. Há crescentemente uma necessidade de controlo da dor, mas a forma como está a ser feito é desorganizada” considerando também que “todas as unidades da dor deveriam ser multidisciplinares, com reumatologistas, neurologistas, anestesiologistas e psiquiatras, por exemplo”.

Defende também que existe falta de reumatologistas nos hospitais e que por vezes o acesso a estes é diminuto afirmando que existem médicos suficientes dessa especialidade, mas que os hospitais não recorrem a estes, referindo também que em vez de se avaliar os hospitais pelo número de consultas essa avaliação deveria ser feita tendo em conta o número de especialidades ou especialistas que faltam.

Considera por isso que “com isso, limitam os diagnósticos precoces, aumentam as incapacidades e as pessoas continuam a cair nos cuidados continuados porque não é feito o diagnóstico precoce, não é tratada a doença e não é tratada a pessoa. Mais do que a dor, devemos tratar a pessoa”.

“Se tivesse um diagnóstico precoce, acesso à reumatologia e uma boa decisão terapêutica, grande parte dos doentes não se reformaria, só uma pequena percentagem iria precisar de opioides e quase nenhuns chegariam a ir para cuidados continuados”, aproveitando para referir que as doenças musculoesqueléticas são o maior foco de dor crónica se não considerarmos as dores provocadas por doenças oncológicas.

Para a SPR, é possível reduzir o absentismo e o ´presentismo´ que designam como mesmo estando no trabalho desempenharem as suas tarefas com muitas dificuldades, se houver uma estratégia de diagnóstico e prevenção, sendo também possível reduzir ao mesmo tempo o impacto económico provocado por estas doenças.

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