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Excedente orçamental “é a prova de que se pode investir mais” nos transportes

No metro de Lisboa, Catarina Martins apontou que “faltar gente é o primeiro problema dos transportes coletivos e do metro” e sobre as taxas moderadoras no SNS afirmou que “o PS tem todo o direito de mudar de opinião”, mas que “é pena” porque o “prejuízo” é dos utentes do SNS.
Catarina Martins acompanhada por membros da Comissão de Trabalhadores do Metro de Lisboa e pela deputada Isabel Pires na estação Marquês de Pombal, no metro de Lisboa – Foto Paula Nunes
Catarina Martins acompanhada por membros da Comissão de Trabalhadores do Metro de Lisboa e pela deputada Isabel Pires na estação Marquês de Pombal, no metro de Lisboa – Foto Paula Nunes

Catarina Martins fez nesta segunda-feira uma visita à estação de metro do Marquês de Pombal, guiada pela Comissão de Trabalhadores do Metro de Lisboa.

A coordenadora do Bloco de Esquerda, que era acompanhada pela deputada Isabel Pires, alertou que “uma medida muito bem-sucedida” como a redução dos passes sociais, que gerou um aumento de 160 mil utentes “só na Área Metropolitana de Lisboa”, está a ser “ensombrada” pela falta de investimento nos transportes públicos, nomeadamente falta de pessoal.

“Faltar gente é o primeiro problema dos transportes coletivos e do metro. Nos últimos anos, reformaram-se 200 trabalhadores e não foram substituídos: não há gente suficiente nas bilheteiras, não há maquinistas suficientes,não há gente suficiente na manutenção”, sublinhou a coordenadora do Bloco, e apontou: “É essencial - e pode ser feito já, para que a passes mais baratos correspondam também melhores transportes coletivos – a contratação dos trabalhadores que faltam para responder a toda a população”.

Catarina Martins saudou que já tenham sido encomendadas novas carruagens, alertando no entanto que só estarão em funcionamento em 2023. “Até lá, é preciso aumentar o seu número e isso faz-se com mais trabalhadores para que nenhuma carruagem fique parada, para que na manutenção não se perca muito tempo”, apelou, alertando que, mesmo que sejam feitas contratações imediatas, os trabalhadores só estarão aptos dentro de três ou quatro meses por exigências de formação.

Questionada sobre o excedente orçamental de 0,4% do PIB até março, Catarina Martins afirmou: “O excedente é a prova de que se pode investir mais: investir nos transportes coletivos é essencial para aumentar a mobilidade e responder à emergência climática. Não investir hoje nos transportes coletivos por décimas do défice quer dizer aumentar a dívida por falta de transportes e quer dizer aumentar a crise climática que já se sente no nosso país”.

Segundo a Lusa, durante a visita da líder bloquista as carruagens da Linha Azul em direção à Reboleira partiam com pessoas de pé. Paulo Alves da CT do Metro alertou que o problema vai agravar-se com as férias dos trabalhadores, prevendo que “haverá menos comboios e um maior intervalo entre comboios”.

O prejuízo é dos utentes do SNS”

Questionada sobre o recuo do PS em relação ao fim das taxas moderadoras no SNS, Catarina Martins declarou:

“O PS tem todo o direito de mudar de opinião e limitar o avanço do fim das taxas moderadoras, mas é de facto pena que mude de opinião, porque o prejuízo não é do Bloco de Esquerda, é dos utentes do SNS, que veem demorar mais essa conquista importante”.

A coordenadora bloquista acrescentou sobre a proposta para o fim das taxas: “O Bloco fez uma proposta e quer que essa proposta seja lei, é nisso que estamos concentrados, é sobre propostas concretas que o Bloco está concentrado, é isso que importa toda a gente”.

Catarina Martins lembrou ainda que , devido à existência de taxas moderadoras, ”há dois milhões de cuidados de saúde que não são prestados”, entre pessoas que deixam de realizar análises ou exames prescritos ou que não vão a uma consulta indicada pelo seu médico de família.

“É prejudicial para a saúde dos portugueses e para as contas do SNS: quando não fazemos a prevenção da doença, os problemas tendem a agravar-se e temos depois os hospitais com situações ainda mais complicadas”, sublinhou, saudando o amplo consenso gerado na AR que votou pelo fim das taxas e lamentou que “alguns partidos tenham mudado de ideias”.

“Nós não mudamos de ideias, sabíamos bem o que estávamos a votar”, concluiu.

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