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Ex-diretora do SEF só avisou IGAI cinco dias após a morte de Ihor Homeniuk

Novo relatório da Inspeção-Geral da Administração Interna concluiu que houve “blindagem corporativista” no caso do assassinato no aeroporto. Cristina Gatões alegou que tinha sido “enganada” no caso, mas o relatório põe em causa essa tese.
Inspetores do SEF - Foto de Miguel Pereira da Silva/Lusa (arquivo)
Inspetores do SEF - Foto de Miguel Pereira da Silva/Lusa (arquivo)

O “Diário de Notícias” revela esta quinta-feira que a responsabilidade de Cristina Gatões, então diretora do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), no caso do assassinato do migrante ucraniano Ihor Homeniuk, pode ser diferente da que ela tem assumido. A questão é colocada, de acordo com novos dados de um relatório da Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI), que concluiu que houve “blindagem corporativista”.

Até hoje, a tese de Cristina Gatões é que tinha sido informada logo da morte do imigrante, mas que tinha sido “enganada” com a tese da morte natural.

A morte de Ihor foi declarada pelo INEM às 18h40 de 12 de março de 2020 no centro de detenção do aeroporto de Lisboa. Cristina Gatões foi logo informada da morte pelo então diretor de Fronteiras de Lisboa (DFL), Sérgio Henriques. Às 19h37, a ex-diretora recebeu um e-mail do inspetor coordenador de turno no aeroporto (Francisco Anjos) com a ficha do INEM, onde se lia que Ihor “tinha sido encontrado em paragem cardiorrespiratória presenciada, após crise convulsiva”. Juntamente com a ficha recebeu também cópia do passaporte respetivo e o relatório de urgência referente ao seu atendimento no Hospital de Santa Maria, a 10 de março.

Estes factos não eram conhecidos até agora e, salienta o DN, Cristina Gatões nunca esclareceu publicamente quando soube da morte de Ihor e qual foi a sua atuação. Sabe-se agora quando a ex-diretora do SEF foi informada e também que informou a chefe de gabinete do então ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita.

De acordo com o jornal, agora sabe-se também que Cristina Gatões não informou de imediato o IGAI da morte do imigrante, a que estava obrigada, e só o fez no dia 17 de março. Questionada pela demora pela IGAI em 2021, terá justificado por querer verificar primeiro se teria havido alguma situação anómala. Apesar de não estar de acordo com a lei, a inspeção aceitou a justificação. Assim, a ex-diretora não foi incluída nas pessoas a quem foram instaurados processos disciplinares e mantém-se como alto quadro do SEF.

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