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Eurovisão: organização ameaça banda islandesa por protesto pró-palestiniano

O conjunto que representou a Islândia no concurso da Eurovisão pode vir a “sofrer consequências” por ter mostrado bandeiras da Palestina durante o evento, segundo afirma a organização do evento. Os Hatari prometem agora gravar um disco com um cantor queer palestino.

Na 64ª edição do festival Eurovisão da canção os Hatari fizeram diferente. E não se tratou de diferença musical. Porque essa foi ensaiada ao longo de muitas edições de maneiras muito diferentes. A diferença introduzida pela banda islandesa foi ter tomado uma posição política num festival que se orgulha de ser oficialmente apolítico.

Esta diferença não foi ao encontro daquilo que a campanha pelos direitos humanos na Palestina, a BDS, Boicote, Desinvestimento, Sanções, tinha pedido. A BDS tinha lançado um apelo ao boicote, depois secundado por artistas de várias nacionalidades. Mas, apesar disso, a posição dos islandesas contrastou fortemente com o silêncio das restantes bandas a concurso.

E contrastou ainda com a estrela principal deste espetáculo. Madonna conseguiu roubar as atenções mediáticas através do surgimento das bandeiras palestina e israelita nas costas de dois bailarinos abraçados. Mas não se pode dizer que esta sua mensagem de “unidade”, a que se somava o apelo “acordem”, fosse disruptiva.

Apesar da suavidade da sua mensagem, a ministra da Cultura israelita, Miri Regev, insurgiu-se. Para a governante, “foi um erro” porque “não podemos misturar a política com um evento cultural”. Isto apesar de garantir ter “todo o respeito” para com a cantora. A organização também não gostou. Garantiu que “este elemento da performance não fez parte dos ensaios” e que Madonna “foi avisada” que o evento era “não-político”.

Já a posição dos organizadores em relação à banda islandesa parece ser mais dura. Dizem que a banda e o país podem vir a ser punidos por terem mostrado as bandeiras da Palestina em

direto e que “as consequências deste ato serão discutidas na próxima reunião do conselho executivo do concurso”, uma vez que os seus atos foram “diretamente contraditórias com as regras do concurso”.

Entretanto, os Hatari que mantêm a bandeira palestina em destaque na sua conta de instagram, anunciaram que, na sua próxima gravação, vão colaborar com um artista queer palestino, Bashar Murad. Em comunicado a banda escreveu: “o premiado grupo de performance artística anti-capitalista islandês Hatari vai lançar um novo single nos próximos dias, em colaboração com o artista pop queer palestino de Jerusalém Este Bashar Murad.

Bashar Murad participou num evento anti-Eurovisão no qual condenou o denominado “pinkwashing” de Israel, ou seja a apropriação para a sua causa das lutas LGBTQI. Para Murad, é falso que a Palestina maltrate esta comunidade. “Estamos aqui e sobrevivemos. Nem toda a gente aceita, mas há extremistas em todo o lado”, afirma o artista que acrescenta: “há muitos palestinos gay – em Jerusalém, Ramallah e outros locais – que saem e se juntam enquanto comunidade”.

Murad lembrou igualmente que os ensaios deste concurso aconteceram ao mesmo tempo que havia ataques aéreos em Gaza tornando assim impossível ignorar o contexto em que este se realizava.

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