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EuroPride venceu proibição e juntou milhares em Belgrado

Após semanas de tensão, com ameaças da extrema-direita e a proibição decretada pelo ministro da Administração Interna sérvio, a primeira-ministra Ana Brnabić deu autorização para a realização do evento.
Foto de Matthew Beard, Twitter.

O desfile, com uma rota mais curta do que originalmente previsto e autorizado com apenas onze horas de antecedência, decorreu sem grandes incidentes, apesar de várias tentativas por parte de manifestantes anti-Pride no sentido de condicionar a sua realização. As autoridades reportaram que 64 pessoas foram presas no sábado, com mais de 5.000 polícias mobilizados em Belgrado.

Reagindo à notícia de que a marcha poderia ocorrer, Kristine Garina, presidente da Associação Europeia de Organizadores do Orgulho LGBT, disse estar "muito feliz" por Brnabić ter "cumprido a promessa que fez em 2019 de apoiar o EuroPride em Belgrado".

"O EuroPride é uma celebração do amor, um movimento pela igualdade e parte de uma campanha global pelos direitos humanos", referiu Kristine Garina, citada pela Euronews. “Este será realmente um EuroPride histórico e o mais importante nos nossos 30 anos de história”, acrescentou.

Na sexta-feira, o Ministério da Administração Interna da Sérvia manteve a sua decisão anterior de impedir a marcha do EuroPride, apesar das tentativas dos organizadores de chegar a um "compromisso" com as autoridades. "Devido a uma série de mentiras, esquemas e tentativas de humilhar a República da Sérvia, o seu sistema legal e as suas instituições, gostaria de informar os cidadãos da Sérvia que ninguém, e especialmente o Ministério da Administração Interna, sucumbiu às pressões das grandes potências do Ocidente", garantiu o ministro Aleksandar Vulin.

"Como dito anteriormente, a proibição da marcha organizada pelo EuroPride 2022 continua em vigor", vincou. O executivo sérvio alegava questões de segurança para proibir o evento.

De acordo com a AFP, representantes da comunidade LGBTQIA+ anunciaram na sexta-feira que manteriam o desfile de sábado, apesar da proibição. "Vamos reunir-nos, apesar da proibição", assegurou à imprensa Goran Miletic, um dos organizadores do EuroPride.

A organização do desfile tinha entregue uma petição, com cerca de 30.000 assinaturas de pessoas oriundas de 123 países, a exortar o governo a suspender a proibição. E, em agosto, 145 eurodeputados, entre os quais Marisa Matias e José Gusmão, endereçaram uma carta ao presidente sérvio, Aleksandar Vucica, pedindo-lhe para reverter a decisão de cancelar o Europride.

A iniciativa estava agendada para o período entre 12 e 18 de setembro na capital sérvia, com uma semana de eventos, festividades e uma marcha programada para o penúltimo dia. Este foi o primeiro Europride a realizar-se no Sudeste da Europa.

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