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“Europa está a perder a possibilidade de fazer a diferença” no combate às alterações climáticas

Durante o debate parlamentar, com a participação do Governo, relativamente ao Estado da União, Fabíola Cardoso foi perentória: “Este é o verdadeiro Estado da União Europeia: desnorte com delírios militaristas numa casa a arder”.
Imagem ARTV.

A deputada do Bloco começou por criticar o facto de, “há várias décadas”, Portugal e a União Europeia se venham “afirmando no campo geopolítico sob uma lógica que privilegia a NATO e os EUA”.

“Todas as fichas sobre a orientação da União Europeia no mundo se usam em função desta visão, que é uma estratégia em si e que Portugal, em particular, tem seguido com total disciplina e reverência”, apontou.

Fabíola Cardoso referiu que, entretanto, dois acontecimentos recentes “vulnerabilizam esta visão estratégica”. Em causa está, em primeiro lugar, a forma como os Estados Unidos decidiram sair do Afeganistão. “Naquilo que é público, fizeram-no sem envolver os parceiros da NATO ou da UE e deixando para trás um rastro de tragédia a que não podemos ficar indiferentes”, sublinhou a deputada.

O outro acontecimento diz respeito ao “recente enxovalho que a França (e a UE com ela) sofreu com o cancelamento do acordo de venda de submarinos à Austrália”.

“Mais uma vez, os Estados Unidos ignoraram completamente o seu relacionamento ‘preferencial’ com a UE e não revelaram qualquer interesse em fazer respeitar as relações entre os Estados. Para compensar, a França assinou já esta semana, dois acordos de cooperação militar, com a Grécia e a República Checa. Há que escoar o stock!”, explicou Fabíola.

De acordo com a dirigente bloquista, “o Estado da União é hoje de orfandade, precisamente porque perdeu o seu farol”.

Neste contexto, Fabíola Cardoso questionou o governo sobre qual a sua posição em relação às declarações da Presidente Ursula von der Leyen, de que falta uma União Europeia da “Defesa”, e também se concorda que o “nível seguinte” é o da militarização e do aumento da já gigantesca despesa militar.

“A ciência é clara: afinal não se está a fazer o suficiente”

Para a deputada do Bloco, “aquilo que era verdadeiramente fundamental – em que a Europa já tinha dito que queria ser líder mundial e onde até se destacava dos EUA – era a questão ambiental”.

Fabíola fez referência ao relatório do Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas, enfatizando que “a ciência é clara: afinal não se está a fazer o suficiente” e a “Europa está a perder a possibilidade de fazer a diferença”.

A dirigente bloquista lembrou ainda que o Tribunal de Contas Europeu veio agora confirmar “aquilo que todos já sabíamos, mas que alguns de nós fingiam não saber: que a União Europeia não está a fazer o suficiente para canalizar fundos para atividades sustentáveis”.

“Faltam medidas que deem resposta aos custos ambientais e sociais das atividades económicas insustentáveis”, apontou.

Acresce que “os apoios à agricultura não estão alinhados com as políticas ambientais, que a UE diz defender” e, como refere a ONU, “os fundos da PAC têm maior probabilidade de promover o aumento de utilização da água do que a sua eficiência”.

Fabíola Cardoso remata: “Este é o verdadeiro Estado da União Europeia: desnorte com delírios militaristas numa casa a arder”.

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