Eurogrupo "alarmado" com situação em Itália e manifestações em Portugal

05 de março 2013 - 11:43

Entre os ministros das Finanças da Zona Euro, reunidos segunda-feira em Bruxelas, registaram-se sinais de "alarme" não apenas com a situação de indefinição política em Itália mas também com a expressão das manifestações populares registadas sábado em Portugal, de acordo com fontes de bastidores do Conselho Europeu.

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Foto Paulete Matos

Apesar de o principal ponto de agenda da reunião do Eurogrupo ser a eventual entrega de Chipre à tutela da troika, depois da recente vitória presidencial da direita, os ministros manifestaram ainda a preocupação com mais um relevante aumento do desemprego em Espanha, que ultrapassou em Fevereiro os cinco milhões de pessoas, sem contar com mais um milhão de desempregados que não estão registados.

Ministros presentes na reunião, segundo as mesmas fontes, consideram que a situação em Portugal é tão preocupante como a que se vive em Itália, uma vez que a austeridade aprofunda a recessão, degrada cada vez mais o ambiente social e fragiliza o governo. Alguns ministros citaram, entre si, excertos do artigo de Mário Soares em que o antigo presidente e primeiro ministro defende que o governo se demita antes que o povo "se enfureça e a democracia acabe de vez".

O resgate em debate ao Chipre deverá ter um valor de 17 mil milhões de euros e, à partida, conta com dificuldades levantadas pela Alemanha. Berlim receia que os capitais injetados no país sirvam para intensificar ainda mais o envolvimento bancário em operações de lavagem de dinheiro.

As preocupações com a situação italiana relacionam-se principalmente com o que os ministros do Eurogrupo interpretam como sendo uma vitória dos setores que combatem a austeridade. Os titulares das Finanças da Zona Euro avaliaram de uma maneira favorável a hipótese, em cima da mesa, de formação de um segundo "governo de tecnocratas", que prolongaria o estado de exceção no país pelo menos até ao Verão, altura em que se realizariam novas eleições gerais. O sector "tecnocrático", representado pelo primeiro ministro cessante Mário Monti, teve pouco mais que dez por cento nas eleições.

O desemprego e a recessão em Espanha continuam a suscitar inquietações no Eurogrupo. De Fevereiro de 2012 a Fevereiro de 2013 o número de desempregados cresceu sete por cento, ultrapassou os cinco milhões e faz com que os cortes sociais impostos sejam assimilados pelos aumentos das despesas com o desemprego. Por outro lado, reconhece-se entre os ministros, os chamados "incentivos" ao emprego a pessoas com menos de trinta anos foram um fracasso absoluto.


Artigo publicado no portal do Bloco no Parlamento Europeu.