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Eurodeputado neo-nazi detido após levantamento da imunidade parlamentar

Ioannis Lagos, antigo membro do partido neo-nazi Aurora Dourada e eleito deputado ao Parlamento Europeu em 2019, foi detido esta terça-feira em Bruxelas.
Ioannis Lagos.
Ioannis Lagos. Foto Daina Le Lardic/Parlamento Europeu

Lagos havia sido condenado em Outubro passado por um tribunal grego a uma pena de 13 anos e oito meses de prisão e ao pagamento de uma multa no valor de mil e trezentos euros, pelos crimes de participação em organização criminosa e posse de arma, tendo sido emitido um mandado de detenção internacional.

Trata-se de uma sentença já considerada histórica na Grécia e no movimento antifascista, que pôs fim a cinco anos de julgamento e que tem sido descrito como o maior julgamento de membros de organizações nazis desde Nuremberga. Nesta decisão, o tribunal entendeu que os crimes dos líderes e militantes do Aurora Dourada foram cometidos sob a proteção e as ordens do partido, considerando-o uma organização criminosa.

Porém, a decisão do tribunal grego ainda não havia sido executada pelo facto de Lagos gozar atualmente de imunidade enquanto deputado ao Parlamento Europeu, pelo que não podia ser preso ou extraditado.

Na passada segunda-feira, o Parlamento Europeu aprovou de forma expressiva o levantamento da imunidade parlamentar de Ioannis Lagos com 658 votos a favor, 25 contra e 10 abstenções.

Após a sua detenção pela polícia belga, Lagos escreveu no Twitter: "Estou num carro da polícia belga. Ladrões, ateus e anti-gregos levam-me para a prisão. Continuo fiel a Cristo e à Grécia. Estou orgulhoso por nunca me ter curvado".

Caberá agora a um tribunal belga decidir sobre o pedido do tribunal grego para extraditar Lagos, um processo que poderá demorar meses.

O partido Aurora Dourada ganhou popularidade durante a crise financeira grega, tornando-se o terceiro partido mais votado no parlamento grego em 2012. Desde então, perdeu o apoio que tinha e acabou por não conseguir eleger qualquer deputado nas eleições legislativas de 2019.

Ioannis Lagos manterá todas as suas prerrogativas enquanto eurodeputado, nomeadamente o salário, até que o Estado grego determine a perda de mandato, o que ainda não aconteceu.

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