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Eurodeputado do PSD é arguido na “Rota Final”, Rangel desvaloriza

“A quantidade de deputados europeus que são arguidos é enorme”, afirmou Paulo Rangel, reagindo à investigação sobre práticas de corrupção que tem o seu colega de bancada Álvaro Amaro como um dos três ex-autarcas laranja constituídos arguidos.
Paulo Rangel e Álvaro Amaro em campanha.
Paulo Rangel e Álvaro Amaro em campanha nas europeias. Foto PSD/Flickr

No âmbito da operação policial desencadeada na quarta-feira, foram constituídos arguidos os ex-presidentes das câmaras de Lamego, Armamar e Guarda (Francisco Lopes, Hernâni Almeida e Álvaro Amaro, respetivamente), um funcionário da câmara de Lamego e um administrador do Grupo Transdev.

Álvaro Amaro tinha renunciado ao mandato para assumir o lugar de eurodeputado e encontrava-se nas jornadas parlamentares do PPE em Espanha no momento das buscas. O cabeça de lista do PSD às europeias, Paulo Rangel, disse esta quinta-feira à agência Lusa que a nova condição de arguido não impedirá Amaro de tomar posse em Bruxelas.

“A circunstância de haver uma investigação e de ter o estatuto de arguido – que, em certo sentido, é preferível a não haver estatuto nenhum – não tem nenhuma interferência com o exercício do mandato e o acesso ao mandato”, afirmou Rangel, desvalorizando o facto de o seu colega estar implicado numa investigação a atos de corrupção.

"A quantidade de deputados europeus que são arguidos é enorme”, acrescentou Paulo Rangel, sublinhando que “não houve nenhuma consequência nas suas vidas quando as coisas se decidem”.

Ex-autarcas e Transdev sob suspeita de corrupção, tráfico de influências, participação económica em negócio, prevaricação e abuso de poder

“Esta investigação visa esclarecer os termos em que o Grupo Transdev obteve contratos e compensações financeiras com autarquias das zonas Norte e Centro do país”, informou na quarta-feira a Procuradoria-Geral Distrital de Coimbra.

Segundo a Polícia Judiciária, nesta investigação estão em causa suspeitas de “práticas de corrupção, tráfico de influências, participação económica em negócio, prevaricação e abuso de poder” relacionadas com “um esquema fraudulento da viciação de procedimentos de contratação pública, com vista a favorecer pessoas singulares e coletivas”.

“Mediante atuação concertada de quadros dirigentes de empresa de transporte público, de grande implementação em território nacional com intervenção de ex-autarcas a título de consultores, beneficiando dos conhecimentos destes, terão sido influenciadas decisões a nível autárquico com favorecimento na celebração de contratos públicos de prestação de serviços de transporte, excluindo-se das regras de concorrência, atribuição de compensação financeira indevida e prejuízo para o erário público”, indica a PJ, acrescentando que “também no recrutamento de funcionários se terão verificado situações de favorecimento”.

A polícia fez buscas nas Câmaras de Águeda, Almeida, Armamar, Belmonte, Barcelos, Braga, Cinfães, Fundão, Guarda, Lamego, Moimenta da Beira, Oleiros, Oliveira de Azeméis, Oliveira do Bairro, Sertã, Soure, Pinhel e Tarouca. Ao todo foram 50 buscas buscas domiciliárias e não domiciliárias, em autarquias, entidades públicas e empresas, numa operação que envolveu 200 inspetores, peritos informáticos, peritos financeiros e contabilísticos da Polícia Judiciária.

A Transdev é um grupo de transportes com origem em França, presente em Portugal desde 1997, no consórcio da construção do Metro do Porto, adquirindo depois os grupos Caima e Joalto. Afirma-se como o segundo operador de transportes no nosso país, emprega 1.900 trabalhadores e tem forte presença nas regiões do norte e centro. Detém 11 empresas de transportes e participações na Internorte, Intercentro, Rede Nacional de Expressos, Renex e Rodoviária do Tejo.

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