“Vamos pôr fim a uma abordagem datada que durante décadas falhou os nossos interesses. Vamos começar a normalizar as relações entre os dois países”, frisou Obama, num discurso televisivo. O acordo, acrescentou, “vai dar início a um novo capítulo entre os países do continente americano”.
Ainda que não tenha anunciado o fim do embargo imposto pelos EUA, o presidente norte americano comprometeu-se a lançar novamente o debate. “Estes cinquenta anos demonstraram que o isolamento não funciona”, referiu, sublinhando que “é tempo de uma nova abordagem”.
No seu discurso, Obama adiantou que os EUA pretendem retirar Cuba da lista de países que apoiam o terrorismo e que vão reabrir a sua embaixada em Havana e facilitar as viagens e as transações monetárias entre os dois países.
Já o líder cubano Raúl Castro, que discursou ao mesmo tempo que Obama, exortou o “governo dos Estados Unidos a remover os obstáculos que impedem ou restringem os vínculos” entre os dois povos, “as famílias ou os cidadãos de ambos os países, em particular os relativos às viagens, a correspondência postal e telecomunicações".
"Os progressos alcançados nas trocas sustentadas mostram que é possível encontrar solução para muitos problemas. Devemos aprender a arte de conviver de forma civilizada com nossas diferenças", adiantou.
O presidente cubano reconheceu que os EUA e Cuba mantêm "profundas diferenças em matéria de democracia, direitos humanos e política externa", mas destacou a vontade cubana de "dialogar sobre todos esses temas".
A aproximação entre os EUA e Cuba resultou, segundo avança o Guardian, de 18 meses de negociações secretas entre os dois países, mediadas pelo Vaticano. O anúncio, por sua vez, surgiu na sequência da libertação do norte americano Alan Gross, detido em Cuba sob acusações de espionagem, e de um dos mais importantes agentes norte-americanos que esteve preso no país durante duas décadas, cuja identidade se desconhece. Em troca deste último prisioneiro, os Estados Unidos libertaram três supostos espiões cubanos.
O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon já reagiu ao anúncio, defendendo que a notícia sobre a reaproximação de Estados Unidos e Cuba é "muito positiva".