EUA: Desigualdade salarial no futebol mantém-se após decisão judicial

04 de maio 2020 - 20:05

Lideradas pela capitã Megan Rapinoe, as jogadoras de futebol dos EUA pretendem uma alteração salarial que iguale os vencimentos de homens e melhores ao serviço da seleção nacional. Perderam agora em tribunal, mas vão recorrer.

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Foto de Jamie Smed/Flickr

A luta das jogadoras da seleção de futebol profissional dos EUA pela igualdade salarial sofreu um revés em tribunal. Para o juiz que julgou o processo, Gary Klausner, não existe desigualdade no tratamento: "A equipa feminina recebeu mais em termos acumulados e em média por jogo do que a equipe masculina durante o período em causa", colocando em cima da mesa a possibilidade de processos sobre ajudas de custo, seja em viagens, estadias ou apoio médico.

Molly Levinson, representante das jogadoras da seleção, garante que não irão desistir e que vão recorrer "Estamos chocadas e desiludidas, mas não vamos desistir de continuar a lutar pelo salário igual. Acreditamos no nosso caso e vamos continuar a lutar para que as raparigas e as mulheres que praticam este desporto não sejam desvalorizadas apenas pelo sexo".

A capitã americana Megan Rapinoe, atual detentora da Bola de Ouro e do prémio The Best que consagram a melhor jogadora do ano, afirmou no Twitter que "nunca vamos deixar de lutar pela igualdade", não escondendo a desilusão pela decisão.

Em comunicado, a federação promete uma melhoria de condições para desenvolver o futebol feminino, mantendo o diálogo com a equipa: "O futebol feminino dos EUA tem sido o líder mundial dentro e fora do campo e estamos comprometidos em continuar esse trabalho para garantir que a seleção nacional feminina continue sendo a melhor do mundo e estabeleça o padrão para o futebol feminino".

Este protesto exigia judicialmente que a federação dos Estados Unidos (US Soccer) indemnizasse as 28 jogadoras da seleção em 66 milhões de dólares, o equivalente a cerca de 60 milhões de euros, devido à discriminação salarial de que eram alvo, quando comparadas com a equipa masculina, exercendo as mesmas funções, mas sendo muito mais tituladas.

A seleção nacional feminina dos EUA já foi campeã mundial em quatro ocasiões, inclusive no último mundial, realizado no verão de 2019, sendo mais popular entre os americanos do que o futebol masculino. São estas as razões que as levam a defender um pagamento igual no desempenho das suas funções na seleção. Este protesto é apoiado inclusive pelo sindicato dos jogadores masculinos.

As diferenças salariais entre homens e mulheres são notórias. Na liga feminina de futebol, o salário mais baixo é cerca de 6.800 dólares (6.000 euros), sendo os valores mais altos praticados à volta dos 60 mil dólares (53 mil euros), enquanto que nos homens, o salário mínimo é perto do salário máximo nas mulheres. No entanto, o jogador com salário mais elevado no futebol masculino aufere oito milhões de dólares (7,2 milhões de euros).

Esta polémica já levou a demissão de Carlos Cordeiro de presidente da US Soccer, por declarações do luso-americano que foram consideradas discriminatórias em tribunal.

A federação por sua vez, justifica a desigualdade salarial por considerar que as jogadoras são "menos dotadas tecnicamente" e "terem menos responsabilidades". Estas justificações provocaram desconforto por parte das jogadoras em relação à federação. A capitã, Megan Rapinoe referiu que é inaceitável esta posição por parte de uma federação. Mesmo após um pedido de desculpa, o Presidente da Federação não resistiu à polémica e apresentou a sua demissão.