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Estudo mostra que apoios sociais significativos mudam funcionamento do cérebro dos bebés

Os bebés cujas famílias mais foram apoiadas revelaram maior atividade cerebral de alta frequência que está correlacionada com resultados mais elevados nas áreas da linguagem, da cognição e do aspeto sócio-emocional mais tarde na infância e adolescência.
Foto de Paulete Matos.
Foto de Paulete Matos.

Um estudo publicado esta semana na revista Proceedings of the National Academy of Sciences mostra que a existência de um apoio social para a redução da pobreza tem impacto na atividade cerebral dos bebés. Segundo os autores, se as suas famílias forem dotadas de maiores recursos económicos, “as experiências das crianças mudam e a sua atividade cerebral adapta-se a essas experiências. Os padrões de atividade cerebral daqui decorrentes mostraram estar associados ao desenvolvimento posterior de capacidades cognitivas”.

Os investigadores norte-americanos chegaram a estas conclusões analisando a atividade cerebral de 435 bebés no primeiro ano de vida. As famílias destes foram divididas em dois grupos: uns recebiam mensalmente 333 dólares, outros 20. A análise do funcionamento cerebral através de electroencefalografia revelou que “as crianças de famílias com poucos recursos económicos tinham mais probabilidade de mostrar padrões de atividade cerebral associados ao desenvolvimento do pensamento e da aprendizagem depois das suas mães terem recebido um ano de apoio mensal em dinheiro”, resume na sua conta de Twitter Kimberly Noble, uma das autoras e que é professora de Neurociência e Educação na Universidade de Colúmbia e pediatra.

Ou seja, nas crianças cujas famílias receberam mais detetou-se maior atividade cerebral de alta frequência e estes padrões estão correlacionados com resultados mais elevados nas áreas da linguagem, da cognição e no aspeto sócio-emocional mais tarde na infância e adolescência”.

Noble ressalva que o projeto ainda não terminou e que há ainda “muito a aprender”, nomeadamente “se as diferenças persistem com o tempo e se se irão traduzir em diferenças no desenvolvimento cognitivo e comportamental das crianças”. O estudo vai assim continuar até estas terem quatro anos e quatro meses. Pretende-se ainda analisar quais são os mecanismos que levaram às diferenças constadas e, para isso, o foco vai-se dirigir para a forma como o dinheiro foi gasto e como ter mais dinheiro terá mudado estilos de parentalidade, relações, stress e outras condições de saúde.

A investigadora considera ainda que “a descoberta de que o apoio económico muda o desenvolvimento cerebral das crianças mostra o papel potencial das políticas anti-pobreza (…) como investimentos no desenvolvimento das crianças”.

Este não é o primeiro estudo a relacionar pobreza e desenvolvimento cerebral infantil mas os seus autores pretenderam ir além da existência de uma correlação entre ambas para entrar no domínio da causalidade entre uma e outro. A investigação integra o projeto Baby’s First Years cujo objetivo é analisar o impacto da redução da pobreza ao longo dos primeiros anos de vida.

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