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Estudo mostra que antirretrovirais impedem contágio com SIDA

Um estudo publicado na revista médica Lancet confirma não haver transmissão do VIH quando a pessoa infetada está a ser medicada com antirretrovirais e não tem carga viral. Os especialistas apontam como problema persistente o diagnóstico tardio.
Foto de andrew_stevens_h/Flickr

Durante oito anos, foram seguidos mil casais de homens homossexuais em que um dos membros estava infetado com VIH, a ser tratado com antirretrovirais e sem carga viral detetável. Ao longo deste período, estes casais continuaram a ter relações sexuais sem preservativo. Em nenhum caso o vírus da sida foi transmitido entre o casal. Sem este tratamento poderiam ter ocorrido, calculam os autores do estudo, 472 casos de infeção nestes mesmos casais.

Alison Rodger, do University College London, co-responsável pelo estudo, não poupa nos adjetivos sobre o resultado alcançado: “brilhante” e fantástico”, correspondendo mesmo a um ponto final no assunto já que providencia “provas conclusivas de que o risco de transmissão do VIH em homens gay com terapia antirretroviral é zero”, declarou ao jornal The Guardian. O entusiasmo é justificado porque a sua investigação reforça a possibilidade de parar a pandemia da sida caso o tratamento adequado seja generalizado, confirmando assim estudos anteriores que tinham sido feitos em casais heterossexuais.

Os investigadores acrescentam às suas conclusões que “esforços acrescidos devem agora focar-se numa disseminação mais vasta desta mensagem poderosa e em garantir que todas as pessoas VIH positivas tenham acesso” ao tratamento com antirretrovirais. Um dos problemas que persiste, segundo os especialistas, é a dificuldade de realizar testes ao VIH, o que faz com os diagnósticos sejam tardios, fruto do medo, estigma e homofobia em que a questão continua a estar envolvida.

Das cerca de 40 milhões de pessoas que viviam com VIH, em 2017, 21,7 estava a receber tratamento antirretroviral.

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