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Estudo europeu mostra que mulheres portuguesas têm pior saúde que homens

O fosso entre homens e mulheres manteve-se praticamente inalterado ao longo da última década. As portuguesas ficam também abaixo da média europeia no que diz respeito à sua saúde.
Saúde. Foto de Paulete Matos.
Saúde. Foto de Paulete Matos.

Foi esta quinta-feira divulgado o Índice de Igualdade de Género 2021, um relatório anual elaborado pelo Instituto Europeu para a Igualdade de Género e que, nesta edição, se centra no impacto das desigualdades de género na saúde. O documento conclui que a saúde das mulheres portuguesas é pior, as dificuldades em pagar despesas como as de saúde mental e dentárias são maiores e que vivem menos tempo com qualidade de vida depois dos 65 anos.

A desigualdade de género na saúde tem-se mantido quase inalterada na última década. O estudo indica que, entre 2010 e 2019, a percentagem de mulheres que consideram ter “boa saúde” subiu apenas um ponto percentual, atingindo os 45%. No mesmo período, o número de homens que considera ter boa saúde manteve-se nos 55%.

E o problema é mais acentuado para as mulheres idosas. Entre as mulheres portuguesas com mais de 65 anos, apenas 12% avalia a sua saúde positivamente. No que diz respeito aos homens, essa percentagem é de 18%. 68% das mulheres em Portugal afirma ter limitações das atividades diárias devido à saúde em comparação com 56% dos homens. A expetativa de vida saudável é de 72 anos nas mulheres, um ano menos do que nos homens. Estes são números abaixo da média europeia na qual ambos os sexos têm uma expetativa de vida saudável de 75 anos.

No que toca ao acesso a cuidados de saúde, os números mantêm a tendência de desigualdade e de distância relativamente à media europeia: 53% das mulheres e 44% dos homens assumiram dificuldades em pagar despesas dentárias inesperadas em 2016; 49% de mulheres e 41% de homens dizem que não têm como pagar despesas relativas a cuidados de saúde mental, percentagem que na média da União Europeia é de 39% e 33% respetivamente.

O relatório debruçou-se ainda sobre a questão da violência doméstica concluindo que “embora toda a extensão da violência durante a pandemia seja difícil de avaliar, a comunicação social e as organizações de mulheres relataram um aumento acentuado na procura por serviços para mulheres vítimas de violência. Ao mesmo tempo, a pandemia Covid-19 expôs e exacerbou lacunas preexistentes na prevenção da violência contra as mulheres e na prestação de serviços de apoio às vítimas com financiamento adequado”. Fatores como o isolamento e as restrições à mobilidade terão exposto as mulheres a mais riscos de serem vítimas de violência doméstica.

Sobre este tema, o Instituto Europeu para a Igualdade de Género revelou ainda que 68% das portuguesas que foram vítimas de violência física ou psicológica o foram no espaço doméstico; que 3% das mulheres lésbicas e a mesma percentagem de mulheres bissexuais sofreram ataques físicos ou sexuais nos últimos cinco anos devido a pertencerem à comunidade LGBTI; que um quarto das mulheres sofreu pelo menos um caso de assédio nos últimos cinco anos e 14% foram vítimas de uma situação destas no decurso do último ano.

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