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Estudantes vão às ruas contestar medida do PEC

Manifestação nacional do Superior, dia 17 em Lisboa, vai pedir a revogação do decreto-lei 70/2010 – que introduz cortes violentos nos apoios sociais –, e reivindicar uma acção social justa.
Manifestação do 17 de Novembro do ano passado. Foto de Paulete Matos

Os estudantes universitários de Coimbra, reunidos em Assembleia Magna, aprovaram na última quarta-feia que a manifestação dos Estudantes do Superior, que se realiza em Lisboa no próximo dia 17 de Novembro, terá na frente uma faixa com a inscrição “Exigimos a revogação do decreto-lei 70/2010".

“Este decreto-lei, que faz parte do PEC, introduz cortes violentos nos apoios sociais”, explicou ao Esquerda.net Rodrigo Rivera, estudante da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. “Calcula-se que 20 a 25% dos bolseiros ficarão sem bolsa ou terão reduções drásticas por causa dele.”

Dia internacional de luta

O dia 17 de Novembro é o dia internacional de luta dos estudantes. A data recorda a resistência nas ruas de Praga contra a ocupação nazi, em 1939, data em que foi invadida a Universidade de Praga. Mais de 1.200 estudantes foram mandados para campos de concentração e nove foram executados. Em 1941, o dia passou a ser assinalado internacionalmente.

Este ano, haverá manifestações em dezenas de países, com destaque para a Itália, a Alemanha e a Polónia, mas também o Canadá, as Filipinas e a Indonésia.

Em Lisboa, a manifestação nacional está marcada para as 15horas, com concentração na Cidade Universitária e desfile até ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, no Palácio das Laranjeiras.

A manifestação foi convocada pela Assembleia Magna de Coimbra de 4 de Novembro. Vão participar e estão a mobilizar para ela, além da Associação Académica de Coimbra, a Associação Académica da Universidade do Minho, a Associação Académica da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, a Associação de Estudantes da ESE de Coimbra, a Associação de Estudantes da FCSH da Universidade de Lisboa, e a Associação de Estudantes da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, entre outras.

A Federação Académica do Porto decidiu não participar, mas há mobilização em faculdades como Letras e Engenharia daquela cidade, onde os estudantes tentam conseguir boleia nos autocarros que vêm da Universidade do Minho para também participar.

Outras reivindicações

Além da revogação do decreto-lei 70/2010, os estudantes do Superior mobilizam-se contra as propinas, por uma acção social justa e que abranja realmente quem precisa, e contra o subfinanciamento do Superior.

“A falta de verbas no Superior leva a situações caricatas”, aponta Rodrigo Rivera. “Um exemplo: os estudantes têm de ter um cartão de um banco como o Santander para ir à biblioteca ou usar a cantina, porque este banco fez um acordo com a universidade. Em troca, o banco, no caso da FCSH, financia o edifício de Investigação e Doutoramento. Que, aliás, foi adquirido ao Estado – isto é, um banco privado financia uma universidade pública para comprar um edifício que é também público, era do Ministério do Exército.”

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