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"Estudantes não podem estar calados acerca da grave crise de habitação no Porto”

Estudantes da Escola Superior de Educação do Politécnico do Porto reivindicam a urgência de mais residências universitárias. Eduardo Couto disse ao Esquerda.net que o Governo não pode continuar a “pouco ou nada fazer em relação à habitação para estudantes”.
Foto de Rafael Medeiro, Flickr.

Sublinhando que “a principal função” desta estrutura associativa é “defender os interesses dos estudantes”, Eduardo Couto destacou que a Associação de Estudantes (AE) da Escola Superior de Educação do Politécnico do Porto não podia deixar de se pronunciar sobre “a grave crise de habitação no Porto”.

“O Governo deve ponderar seriamente se quer ou não continuar esta trajetória de pouco ou nada fazer em relação à habitação para estudantes”, apontou.

O dirigente associativo referiu ainda que o Politécnico do Porto, que “é uma das instituições do país com menor rácio de quartos públicos por estudante”, atualmente “só consegue responder a cerca de 10% dos pedidos de habitação de bolseiros e deslocados”.

Eduardo Couto defende que “são necessárias medidas estruturais” para fazer face a esta crise.

“Jovens universitários encontram-se numa situação ainda mais precária que nunca”

Em comunicado, a AE da Escola Superior de Educação do Politécnico do Porto alerta que, “com a inflação a atingir patamares insuportáveis para todas as famílias, agonizando a crise social já antiga no país, os jovens universitários encontram-se numa situação ainda mais precária que nunca”.

A par dos “preocupantes preços galopantes do aluguer de quartos nas zonas das redondezas das Instituições de Ensino Superior (IES) e na Área Metropolitana do Porto (AMP)”, a AE lembra que recentemente foi noticiado que os proprietários retiraram do mercado 80% dos quartos que eram destinados a estudantes.

Acresce que os transportes na AMP “são escassos e por vezes criam transtornos profundos mesmo para os estudantes do distrito do Porto e dos concelhos limítrofes, obrigando até os estudantes de mais perto a alugarem um quarto, apesar das escassas posses dos demais agregados familiares”.

Os estudantes dão ainda conta dos escassos recursos do Politécnico do Porto, que através dos Serviços de Ação Social dispõe apenas de um conjunto de seis residências universitárias, de pequena e grande dimensão, que respondem a um conjunto de oito IES, com mais de 8 mil alunos bolseiros no ano de 2021.

E “os Serviços de Ação Social do Politécnico do Porto apenas podem responder às necessidades dos alunos com os meios que têm ao seu dispor, contribuindo com uma bolsa de apoio ao alojamento quando o estudante não consegue uma vaga numa das suas residências”, explicam.

E, nestes casos, a AE denuncia que “a esmagadora maioria dos senhorios em Portugal não atua com os meios legais que está obrigado por lei a cumprir, impedindo, portanto, os estudantes de beneficiarem do apoio acima mencionado”, já de si insuficiente.

“Esta problemática aumenta o risco de abandono do Ensino Superior e limita inclusivamente a inscrição de alunos com rendimentos mais baixos, aumentando assim a desigualdade no seu acesso”, frisa a estrutura associativa.

Neste contexto, os estudantes requerem ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior um levantamento do número de estudantes candidatos, mas não colocados nas Residências do Politécnico do Porto, bem como a disponibilização de verba em sede de Orçamento de Estado para o ano civil de 2023 ao Politécnico do Porto para a aquisição/construção de mais residências universitárias, com carácter de urgência. No documento é ainda reivindicado o acompanhamento constante da problemática da falta de habitação pública para os estudantes deslocados das suas faculdades.

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