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Estudantes e professores promovem Maré da Educação

"Sem Educação de qualidade não há país que sobreviva à crise", diz o manifesto que convoca a comunidade educativa para o 2 de março em Lisboa, com concentração e partida do Ministério da Educação, na Av. 5 de outubro, às 15h.
Um dos cartazes da Maré da Educação

A convocatória é assinada por dirigentes associativos estudantis, professores sindicalistas e dos movimentos de contratados e precários, e dirige-se a "pais, alunos, pessoal não docente, professores e todos/as os que querem defender a escola pública". 

"Portugal está muito atrasado e o Governo quer empurrar-nos ainda mais para trás: só 32% da população portuguesa tem o ensino secundário contra 72% no conjunto dos países da OCDE", diz a convocatória do protesto, que também desmente a narrativa do Governo e da troika de que Portugal gasta muito na Educação: "O investimento neste sector desceu de 5,9% para 3,8% do PIB em dois anos, menos de metade da média do investimento nos países da OCDE", acusam os promotores da Maré da Educação. Ou seja, Portugal gasta hoje mais dinheiro em juros pagos aos especuladores do que na Educação para o seu povo.  

O protesto contra a degradação da escola pública denuncia ainda o desemprego que atinge dezenas de milhares de professores e motivou o aumento de alunos por turma, dificultando a vida aos professores e a aprendizagem dos estudantes. Mas também chama a atenção para o crescimento do abandono escolar e a situação de crise aguda em que vive boa parte dos estudantes do ensino superior, que "abandonam as universidades por não poderem pagar ou endividam-se cada vez mais", enquanto Portugal continua a ser dos países onde as famílias mais pagam pela frequência universitária dos seus membros.

"Para o governo e para a troika isto ainda não é suficiente: ameaçam com mais horas de trabalho, com mais precariedade e despedimentos de professores, propinas ainda mais caras e desde o secundário. Querem criar uma educação para ricos e outra para pobres", sublinha o texto da convocatória. Para evitar que isso aconteça, professores e estudantes unem-se a 2 de março ao resto da sociedade que vai defender nas ruas a saída da troika e deste Governo, reclamando que seja a democracia a resolver o impasse criado pela espiral de empobrecimento do país. 

 

Dirigentes estudantis apelam à manif de 2 de março

Um grupo de dirigentes e ativistas estudantis publicaram um apelo à manifestação intitulado "Que se Lixe a Troika, queremos o Ensino Superior de volta!". Os estudantes acusam o Governo e a troika de proporem "um aumento excecional das propinas, cortam profundamente o financiamento das instituições, vedam a entrada aos estudantes mais pobres e expulsam ou endividam os estudantes que já frequentam o Ensino Superior". 

"Só com um movimento que pare a austeridade que nos sufoca, que corte na divida e nos seus juros, que demita este governo e que expulse a troika, é que pode corresponder uma movimentação estudantil que volte a colocar os pilares básicos do projeto democrático para o Ensino Superior: a universalidade, a gratuitidade, a qualidade e a democracia", diz o apelo assinado por 26 dirigentes associativos do ISCTE, Letras do Porto, Escola Superior de Teatro e Cinema, Associação Académica da Universidade de Lisboa e membros de coletivos estudantis.

 

Estudantes lançam manifesto em Lisboa

O grupo de estudantes "Artigo 74º" vai apresentar o seu manifesto no próximo dia 26 de fevereiro às 18h na Faculdade de Letras de Lisboa, durante um debate sobre o "Direito à Educação". O texto aponta as consequências das políticas do Governo da troika para o sistema de ensino público e as dificuldades por que hoje passam os estudantes e as suas famílias. 

Com os cortes previstos no Orçamento de Estado para 2013, os estudantes esperam um aumento ainda maior do abandono das universidades. "Apesar de as famílias portuguesas terem rendimentos cada vez mais baixos, a propina nas universidades públicas portuguesas é a terceira mais alta da Europa", diz o manifesto, recordando em seguida que "ao mesmo tempo, milhares de estudantes vêem as bolsas de ação social recusadas" e o preço do passe social aumentar para valores incomportáveis. "Defendemos que o direito a chegar à escola é tão importante quanto o direito a estar na escola", dizem os estudantes do "Artigo 74º".

As perspetivas dos atuais estudantes quanto ao futuro também estão comprometidas pelas três alternativas que o Governo lhes oferece: "a precariedade, o desemprego ou a emigração". Num país onde 9 em cada 10 novos empregos são precários e onde o desemprego jovem já atinge os 40%, "esta falta de perspetiva leva a que cerca de 70% dos estudantes universitários pretendam emigrar no final do seu curso", acusa o manifesto. 

 

Fenprof convoca semana de luto nas escolas

Esta semana de 18 a 22 de fevereiro fica marcada por várias ações nas escolas, integradas na semana de luto da Fenprof. "Professores de luto e em luta" é o lema desta iniciativa que envolve a colocação de cartazes e faixas negras, a utilização de um auto-colante, a distribuição de um texto aos pais sobre a situação na Educação, ações nas escolas e a aprovação de posição por escola a enviar ao ministério da Educação (MEC).

A semana de protesto começou no Ministério da Educação, com Mário Nogueira (FENPROF) e António Avelãs (SPGL) a colocarem uma das faixas negras que serão a marca do protesto. Os sindicalistas continuam à espera de resposta do ministro de Nuno Crato aos pedidos de reunião que lhe enviaram para discutir os cortes orçamentais e a situação criada com os mega-agrupamentos. Perante o silêncio do ministro, a Fenprof encaminhou o pedido para Passos Coelho, que na passada quinta feira respondeu, encaminhando-o de novo para Nuno Crato. 

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