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Estudantes do secundário manifestam-se pela escola pública

Manifestação em defesa da escola pública leva esta quarta-feira estudantes em Lisboa a marchar pelo fim dos exames, mais funcionários e renovação das escolas.
Manifestantes à saída do Marquês de Pombal esta manhã. Foto e.agora24m/Instagram.
Manifestantes à saída do Marquês de Pombal esta manhã. Foto e.agora24m/Instagram.

Menos de uma semana após as manifestações da greve climática estudantil, os alunos do ensino secundário voltam hoje à rua em Lisboa, reivindicando a defesa da escola pública, o fim dos exames nacionais, e mais investimento em funcionários e obras de renovação.

A ideia partiu da Associação de Estudantes da Escola Secundária Camões (AEESC), liceu histórico de Lisboa com problemas de instalações degradadas há longa data, e recolheu o apoio de escolas de todo o país, segundo afirmou à Lusa Simão Bento, presidente da AEESC. Como as associações de fora de Lisboa "subscrevem o apelo, mas não têm capacidade para estar presentes", deverão marchar sobretudo estudantes da capital. Confirmaram presença alunos das escolas Maria Amália, Marquês de Pombal, Dom Pedro V, Filipa de Lencastre, António Damásio, Passos Manuel e António Arroio.

Os alunos reclamam contra os exames nacionais, que Bento considerou um "fator de tremenda desigualdade no acesso ao Ensino Superior" que acabam por servir para fazer rankings de "escolas de topo e das escolas de lixo". Dizem-se também preocupados com os atrasos nas obras de requalificação das escolas e a falta de funcionários. O processo de municipalização das escolas é igualmente criticado por aumentar as disparidades entre alunos, pois “as autarquias não têm todas a mesma capacidade financeira para investir nas escolas", afirmou Bento à Lusa.

A manifestação, arrancou às 10h30 desta quarta-feira no Marquês de Pombal, de onde centenas de estudantes começaram a marchar em direção ao parlamento. Registaram-se também concentrações e marchas de alunos noutros locais, como no Seixal, Torres Novas, Ílhavo ou Coimbra.

Com os estudantes já em frente à Assembleia da República, a deputada Joana Mortágua elogiou a iniciativa, frisando que os estudantes do Camões e da António Arroio "estão há demasiado tempo à espera de obras" mas que "saíram à rua não apenas para defender obras nas suas escolas" mas também "uma escola pública em que os professores tenham direitos, com mais funcionários, que não esteja obcecada com os exames". No entender da deputada bloquista, o sistema "excessivamente obcecado com exames" que temos prejudica a "forma como entendemos a educação", como têm apontado diversas avaliações internacionais. A questão principal não é "se deve haver ou não deve haver exames", mas antes "não reduzir uma vida inteira de escolaridade a 2 ou 3 exames para acesso ao ÉS", bem como resolver os problemas de acesso ao Ensino Superior que tornam os exames uma ocasião pesada e dramática para os estudantes.

Ao mesmo tempo que os estudantes, convergiram para o parlamento também os trabalhadores das autarquias, num protesto organizado pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local (STAL). Mortágua considerou justas as reivindicações destes trabalhadores, que por exemplo tomam conta dos jardins e espaços públicos, pois recebem salários baixos e, nos casos em que trabalham em situações ou substâncias perigosas, deviam ter direito a subsídios de perigosidade e risco, como reclama uma petição do STAL.

Notícia atualizada às 15h30 com as declarações de Joana Mortágua.

 
 
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Para os bancos vão milhões para as escolas vão tostões!

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