Na passada segunda-feira, a jovem sueca Elin Ersson recusou-se a sentar-se num avião no aeroporto de Gotemburgo para impedir a deportação de um homem afegão cujo pedido de asilo foi rejeitado pelas autoridades suecas.
Durante 14 minutos, a estudante na universidade de Gotemburgo resistiu às pressões de alguns dos passageiros para que pusesse fim ao protesto e às tentativas da tripulação para que se sentasse.
"Estou a fazer o que posso para salvar a vida de uma pessoa", frisou Ersson.
Interpelada sobre o facto de estar a atrasar o voo, a jovem questionou: "O que é mais importante? Uma vida ou o seu tempo?”.
“Quero que ele saia do avião porque no Afeganistão ele não está seguro. Estou a tentar mudar as leis do meu país. Não concordo com elas. Não é certo mandar as pessoas para o inferno", acrescentou Ersson, repudiando a política de deportação da Suécia, que considera o Afeganistão um país seguro.
"Provavelmente ele vai ser morto [no Afeganistão]", continuou.
De acordo com a BBC, o afegão acabou por ser retirado do avião, perante os aplausos da maioria dos passageiros. No entanto, a estação de rádio alemã Deutsche Welle avança que as autoridades suecas irão avançar com a deportação.
Pilotos recusam-se a transportar requerentes de asilo
De acordo com dados do governo alemão, obtidos pelo partido Die Linke, entre janeiro e setembro de 2017, vários pilotos recusaram-se a transportar requerentes de asilo a partir da Alemanha, travando 222 deportações.
Conforme já tinha noticiado o esquerda.net, a maioria dos casos (140) ocorreu no aeroporto de Frankfurt. Outros pilotos recusaram-se a voar do aeroporto de Colónia-Bona. Alguns dos voos pertenciam à Lufthansa e à sua subsidiária Eurowings.
No início do ano, um piloto da British Airways recusou-se a descolar enquanto o afegão Samim Bigzad, ameaçado de morte pelos Taliban, estivesse a bordo do avião.
"Eu não vou voar. A vida de alguém está em risco”, frisou o piloto.
Virgin Airlines anunciou que não vai continuar a ajudar a deportar imigrantes
Em junho, a Virgin Airlines anunciou que não vai continuar a ajudar a deportar imigrantes.
Segundo o Guardian, a companhia aérea informou que deixará de auxiliar o Ministério do Interior a deportar pessoas classificadas como imigrantes ilegais, devido à pressão de ativistas LGBT e ao crescente desconforto com a remoção ilícita do povo Windrush para os países do Caribe.
O jornal cita um porta-voz da Virgin Atlantic: “No mês passado tomámos a decisão de acabar com todas as deportações involuntárias na nossa rede, e já informamos o Ministério do Interior. Acreditamos que essa decisão é do interesse dos nossos clientes e trabalhadores e está de acordo com os nossos valores”.
Nos EUA, a American Airlines e a United afirmaram que se recusariam a transportar crianças migrantes separadas dos seus pais em nome do governo norte-americano, avançando que a política "contrariava os seus objetivos empresariais".