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Estruturas criticam "razia" nos apoios bienais na área da Dança

Após conhecer os resultados do concurso de apoio sustentado às artes, a REDE quer saber porque é que a Dança "é a área artística com menor dotação orçamental da DGArtes, apesar do seu crescimento exponencial”.
Foto de Rita Carmo / CCB publicada no site da Companhia Clara Andermatt.

Em comunicado citado pela agência Lusa, a REDE - Associação de Estruturas para a Dança Contemporânea - reagiu ao anúncio dos resultados provisórios dos apoios bienais para a área da Dança. E concluiu que esses apoios, "em vez de beneficiarem novas estruturas, descontinuaram o apoio sustentado a cinco estruturas até agora apoiadas, entre as quais a Companhia Clara Andermatt, o Ballet Contemporâneo do Norte e a Kale – Armazém 22, assim como deixaram de fora sete estruturas elegíveis, entre as quais Agência 25, Pensamento Avulso, Produções Independentes e Associação Quorum Cultural”.

Um resultado que esta associação diz ter recebido “sem surpresa, mas com total indignação” e que se traduz por “uma enorme razia nos resultados provisórios do Programa de Apoio Sustentado, Bienal — Dança — Criação, que preveem apoio a apenas 38% das estruturas candidatas (oito estruturas), a menor percentagem por área artística nos resultados até agora anunciados, abaixo dos bienais de 2020/2021 (com nove estruturas apoiadas, equivalente a 60%)”.

Para a REDE, trata-se de um cenário que "contradiz aquilo que a DGArtes e o Ministério da Cultura anunciaram e defenderam nas suas últimas intervenções, nomeadamente a quebra histórica com o subfinanciamento para as artes no país”, e que se torna "ainda mais gritante na área da Dança, quando observamos a disparidade entre o valor atribuído aos bienais nesta área face ao número de candidatos e face às outras áreas artísticas cujos resultados foram divulgados em simultâneo”.

A REDE destaca a injustiça criada entre o reforço de financiamento dos programas quadrienais em relação aos bienais e "uma incoerência política na sua distribuição”. “Não há nem pode haver crescimento algum na área da Dança! A única alteração em nove anos é a garantia de maior sustentabilidade para 11 estruturas de criação de dança que são apoiadas por quadrienal. Nos bienais saem uns, entram outros”, salienta a REDE.

A REDE defende “um reforço de verba dos bienais proporcional às outras áreas, no valor global de três milhões de euros, para apoio às candidaturas não propostas a apoio, com pontuação acima de 70%, subindo os apoios da Dança para 31 apoiados (11 quadrienais e 20 bienais), investimento absolutamente essencial para a consolidação e desenvolvimento de todos estes importantes projetos no território e, consequentemente, um sinal político que reconhece que a criação artística nesta área carece brutalmente de incentivo estatal”.

Também a associação Plateia já tinha vindo criticar o corte de verbas nos apoios bienais nestes concursos, considerando que eles comprometem “o desenvolvimento das estruturas artísticas menos consolidadas - e tendencialmente mais precárias - e impede-se o acesso de muitas companhias aos apoios sustentados, pondo em causa o tão necessário crescimento do tecido artístico do país”.

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