Em Génova, o Bahri-Yanbu ia abastecer-se com dois geradores elétricos. Como da sua carga faziam já parte seis contentores de munições, trazidos do porto de Antuérpia no início do mês, os trabalhadores portuários italianos recusaram fazer o carregamento do barco saudita como forma de protestos contra a guerra no Iémen. Para além disso, dizem, não estão seguros que estes geradores não acabem por participar de alguma forma no esforço de guerra saudita.
A primeira tentativa foi de barrar o barco de entrar de todo no porto de Génova. Depois desta ter falhado, os trabalhadores recusaram fazer o carregamento.
“Não seremos cúmplices do que está a acontecer no Iémen”, declararam os dirigentes sindicais em comunicado. Por sua vez, a Amnistia Internacional, uma das organizações de direitos humanos que segue atentamente o percurso deste navio, declarou, através de Ara Marcen Naval, que “nenhum estado da União Europeia deveria estar a tomar a decisão letal de autorizar a transferência ou trânsito de armas para um conflito onde há um risco claro que estas venham a ser utilizadas em crimes de guerra e outras violações sérias da lei internacional.” A dirigente associativa lamentou que os “estados prefiram permitir que o lucrativo comércio global de armas continue a operar sob um manto de secretismo”.
La saga #BelgianArms continue... Le navire #BahriYanbu transporte des armes belges & espagnoles qui risquent d'être utilisées contre des civils au #Yemen
Aucun pays de l'#UE ne doit autoriser 1 transfert susceptible de crimes de guerre! #WallonieImmoralehttps://t.co/y5MiTPmteh pic.twitter.com/qhA6gvxYH1— Amnesty Belgique FR (@amnestybe) 17 de maio de 2019
E não é primeira vez que o carregamento do Bahri-Yanbu é boicotado nesta sua viagem. Dia 10, no porto francês de Le Havre, um carregamento de armas tinha sido impedido na sua sequência de protestos de grupos de defesa dos direitos humanos. Segundo estes, a coligação liderada pela Arábia Saudita está a utilizar armas contra civis. Por isso, a venda de armas viola as convenções internacionais. E, apesar do processo judicial que o grupo ACAT moveu com base nestas alegações não ter colhido junto dos tribunais, a verdade é que o barco navegou para outro porto sem ter sido carregado com armas.