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Estivadores denunciam “estado antidemocrático” nos portos

Sindicato dos estivadores pede intervenção de António Costa na situação antidemocrática que se vive nos portos portugueses. Os trabalhadores denunciam situação de discriminação salarial dirigida aos membros do sindicato.
Estivadores denunciam “estado antidemocrático” nos portos
Foto de Sindicato dos Estivadores e da Actividade Logística/Facebook.

O Sindicato dos Estivadores e da Atividade Logística (SEAL) publicou uma carta aberta dirigida a António Costa, na qual é denunciada a situação de “estado de exceção e antidemocrático” que se vive nos portos portugueses. 

"O atual estado de exceção, antidemocrático, que se vive nos portos portugueses exige o olhar dedicado de sua Excelência de modo a reverter esta situação de interesse nacional, enquanto serviço público essencial para a economia portuguesa, e pôr um ponto final no sequestro em que se encontram os trabalhadores por parte dos donos dos portos, especialmente no porto de Leixões, ao serviço de inconfessáveis interesses privados”, lê-se no documento dirigido ao Primeiro-ministro. 

A carta faz referência a um conflito que, dizem os representantes dos estivadores, apenas se poderá resolver "se forem adotadas medidas corretivas das situações irregulares que atualmente se verificam nos portos portugueses em matéria laboral”. 

O SEAL descreve acontecimentos recentes relacionados com a visita da ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, ao porto de Leixões. Os membros do sindicato afirmam que, mesmo com a intervenção das autoridades policiais, não lhes foi permitido acompanhar a dita visita, tendo sido “bloqueada a autorização de acesso ao local pela Administração Portuária, tutelada pela Ex.ma  Senhora Ministra”. No final, Ana Paula Vitorino reuniu apenas com os administradores das duas empresas de estiva de Leixões para discutir os futuros financiamentos deste.

De acordo com SEAL, este conflito teve início na declaração de uma jornada de solidariedade, que teve lugar a 27 de julho, dos trabalhadores deste sindicato “para com os seus companheiros dos portos de Leixões e Caniçal em virtude de práticas reiteradas de discriminação salarial para com os sócios do SEAL tendo em conta a opção de filiação sindical”. Em reação, os Grupos Económicos – Yilport, ETE e Sousa, empresas portuárias de Lisboa, “rasgaram um Acordo que levara 8 longos meses a negociar e que incluía atualizações salariais de 4% para trabalhadores cujos salários não sofriam qualquer atualização desde 2010”.

Esta situação de “chantagem salarial” aos associados do sindicato culminou numa greve ao trabalho suplementar nos portos de Leixões, Figueira da Foz, Lisboa, Setúbal, Sines, Caniçal, Praia da Vitória e Ponta Delgada, que se prolongará até janeiro de 2019.

Face à situação de conflito, o SEAL pede a intervenção de António Costa para, “através de uma intervenção decisiva e descomprometida dos poderes públicos”, ser possível ultrapassar o conflito.

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