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Estado da Nação? "O país melhorou, mas era possível ir ainda mais longe”

Na antevisão do debate de quarta-feira sobre o Estado da Nação, o líder parlamentar do Bloco falou dos momentos mais positivos e também dos mais negativos da legislatura que termina este mês.
Pedro Filipe Soares.
Pedro Filipe Soares. Foto de Paula Nunes

Pedro Filipe Soares falou aos jornalistas nas vésperas do debate parlamentar do “Estado da Nação”, onde o balanço do mandato da atual maioria parlamentar e do governo do PS será dos temas mais abordados. Para o líder parlamentar bloquista, a primeira conclusão a tirar desse balanço é que “a nação ficou melhor do que estava em 2015”, após quatro anos de cortes que afetaram o próprio ”estado anímico do país, com uma grave crise de autonfiança nas nossas capacidades”.

O inédito acordo à esquerda para viabilizar o governo mostrou que “havia uma alternativa que não estava refém da austeridade e que podia complementar recuperação de salários, rendimentos e direitos e dessa forma valorizar quer a economia com a criação de postos de trabalho quer as contas públicas com melhoria das contas públicas”, acrescentou Pedro Filipe Soares.

“Passados quatro anos podemos dizer que foi possível ir mais longe, mas também podemos dizer que teria sido possível ainda ir mais longe, e que isso não só teria ajudado ainda mais a economia como nos teria transformado num país melhor”, concluiu o líder parlamentar do Bloco.

Chamado a escolher os momentos mais positivos e negativos do mandato, Pedro Filipe Soares destacou pela positiva a aprovação do programa do governo e do primeiro Orçamento do Estado. “O primeiro era o corolário das negociações à esquerda e contemplava não o programa do PS mas o resultado das negociações”, como o aumento do salário mínimo, o combate à precariedade ou eliminação dos cortes num período muito curto. Tudo “muito diferente do programa eleitoral do PS” nessas eleições, sublinha. A escolha do primeiro Orçamento justifica-se pelas “enormes pressões da direita e da Comissão Europeia por causa do aumento do Salário Mínimo Nacional” e por ter dado início à recuperação da economia.

Pela negativa, o líder parlamentar do Bloco escolheu a votação da injeção de dinheiros públicos no Banif, por ter dado o sinal “logo nos primeiros meses desta solução política” que o PS “não queria tocar nos interesses instalados do sistema financeiro”, aceitando ceder à chantagem da DGComp e das instituições europeias. O segundo momento negativo acabou por ter um desfecho favorável: a apreciação parlamentar sobre a TSU e de um eventual desconto que o PS tinha aprovado com os patrões. “Foi um debate muito duro em que dissemos ao PS claramente: Não contam com o Bloco de Esquerda para colocar em causa a Segurança Social dos Trabalhadores para dar benefícios e borlas aos patrões”.

Geringonça: “Foi uma solução contextualizada no tempo. Não há clones”

Questionado sobre uma eventual repetição do atual entendimento à esquerda na próxima legislatura, Pedro Filipe Soares confirmou a disponibilidade de sempre do Bloco para o diálogo, mas avisou que o que permitiu cumprir a atual legislatura até ao fim “foi uma solução contextualizada no tempo, Não há clones”. “A força que teremos para esse diálogo advém da capacidade que nos saia das urnas e da disponibilidade de outros para esse diálogo”, sublinhou.

“Nós mostrámos em 2015 que não era por nenhum tipo de dogmatismo do Bloco ou de outros partidos à esquerda que não existia um acordo de governação à esquerda. Tinha sido mais por escolha do PS ao longo dos anos. Isso ficou claro em 2015. Qualquer voto no Bloco de Esquerda conta para determinar as políticas do país. Quanto mais votos, mais força para romper alguns dos bloqueios do país”, prosseguiu o líder parlamentar do Bloco, lembrando que com os atuais 19 deputados bloquistas foi possível melhorar salários e valorizar pensões.

Mais capacidade para influenciar a política pode levar o Bloco de Esquerda para o governo? “É isso que vamos disputar nas eleições e por isso mesmo apresentaremos um programa para governar o país”, mesmo sabendo que “o sistema financeiro e os patrões continuarão sempre a dizer que querem ajuda dos partidos do costume”.

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