“Esta campanha deve servir para sermos avaliados pelo trabalho que fizemos”

11 de abril 2019 - 16:11

Acompanhada por vários candidatos do Bloco, Marisa Matias entregou a lista às próximas eleições europeias e falou das perspetivas eleitorais, do Brexit e da prisão de Assange.

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As candidatas às europeias Marisa Matias e Anabela Rodriges com o mandatário da candidatura, António Capelo e a coordenadora bloquista Catarina Martins à saída do Tribunal Constitucional. Foto Paula Nunes.

“Gostava que esta campanha servisse para podermos ser avaliadas e avaliados pelo trabalho que fizemos. Eu estaria muito disponível para ser avaliada pelo trabalho que fizemos em Bruxelas”, afirmou Marisa Matias aos jornalistas no fim da apresentação da lista no Tribunal Constitucional.

Questionada sobre o objetivo do Bloco para a noite eleitoral de 26 de maio, Marisa afirmou que espera um reforço da representação bloquista no Parlamento Europeu. “Não existe fasquia, porque quem vota são as pessoas”, acrescentou.  

“Quando falamos de política europeia, não estamos a falar de nenhuma abstração. Estamos a falar de estado social, de emprego, de uma necessidade urgente de combate às alterações climáticas”, prosseguiu a candidata bloquista, defendendo que a ‘geringonça’ “é um bom exemplo da forma como quando se quer confrontar e lutar pelos direitos e pela dignidade da vida das pessoas, se conseguem melhores resultados”.

“Foi quando enfrentámos Bruxelas contra a posição que tinha de não permitir o aumento do salário mínimo, que se conseguiu algum ganho para este país”, lembrou Marisa, considerando “inevitável que isso esteja também em jogo nestas eleições”, até porque existe “um reconhecimento claro que aquilo que melhor funcionou foi o resultado do acordo e não o que estava inscrito no programa económico inicial do PS”.

“Todas as eleições têm uma leitura interna. É fundamental que as pessoas percebam que grande parte do que as afeta no dia a dia resulta diretamente de muitas das imposições que vieram de Bruxelas e às quais não se fez frente”, alertou a eurodeputada do Bloco.

Candidatos do Bloco entregaram lista às Europeias 2019

Candidatos do Bloco às eleições europeias entregaram a lista esta quinta-feira no Tribunal Constitucional.


Brexit: uma “barracada” que não favorece imagem britânica nem europeia

O adiamento do prazo para a saída do Reino Unido da União Europeia, aprovado npelos governos da UE, foi um tema inevitável na troca de ikmpressões com os jornalistas. Para Marisa Matias, o Brexit tem sido “um processo muito complicado, uma enorme ‘barracada’ que não favorece a imagem nem das instituições britânicas nem europeias. E foi também o resultado de uma concessão que as instituições europeias fizeram a David Cameron e agora a Theresa May para se manterem no poder pelo poder”.

Para a eurodeputada do Bloco, “o que é importante é chegar a um acordo”, pois entende que uma saída sem acordo “não é benéfica para ninguém”. “Temos mais de 4.5 milhões de cidadãos da UE que vivem no Reino Unido, entre eles muitos portugueses. E temos vários cidadãos do Reino Unido que vivem nos outros países. Essas pessoas não podem continuar a viver na incerteza do que lhes vai acontecer”, defendeu.

“Já tivemos dois anos, se agora é preciso até outubro, que seja até outubro. Mas que se chegue a um acordo, se respeite a vontade do povo britânico e se salvaguarde os direitos das pessoas, que são as que menos são consideradas nesta novela onde parece só interessar manter o poder e não tratar dos problemas concretos”.

Prisão de Assange: Lançadores de alerta deviam ter proteção

Reagindo à notícia do dia, a prisão de Assange pela polícia britânica na embaixada do Equador em Londres, Marisa lembrou que o caso de Assange é um de entre vários lançadores de alerta “que trouxeram a público informações que deram origem a inquéritos, informações relativas à fuga de capitais, evasão fiscal, paraísos fiscais, informação que devia ser pública mas não é”.

“As pessoas que denunciam são sistematicamente o elo mais fraco. Têm de fugir, são perseguidas, são presas. Veja-se o caso do Luxleaks, em que quem foi preso foi quem denunciou”, lamentou Marisa Matias. A candidata do Bloco defende a necessidade de haver “medidas de proteção daqueles que denunciam, senão a democracia está em perigo”.

“Todos os lançadores de alerta que põem em público informações que são relevantes e que dão origem a investigações, então estiveram a fazer um trabalho que acabou por ser aproveitado do ponto de vista público. Não é normal que estas pessoas sejam criminalizadas sem antes serem ouvidas e poder ser considerada a sua posição”, concluiu Marisa.