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“A esquerda não está condenada a impor limites ao PS”

Em entrevista à agência Lusa na véspera da Convenção do Bloco, Catarina Martins volta a defender que após as legislativas de 2019 será “a relação de forças a determinar as soluções de governo”.
Catarina Martins
Foto António Cotrim/Lusa

A coordenadora bloquista deu uma entrevista à agência Lusa sobre a Convenção do partido e o atual momento político. E realçou que “a esquerda não está condenada a, simplesmente, impor alguns limites à ação do Partido Socialista. A esquerda pode ter a responsabilidade de desenhar programas”, caso seja essa a relação de forças saída das urnas nas próximas legislativas.

"Nós só estaremos no governo quando tivermos os votos para estar", assegurou Catarina, em jeito de balanço dos três anos de legislatura em que, com o acordo à esquerda, “afastámos a direita, acabámos com os cortes em salários e pensões, parámos a privatizações”.

“Este é o tempo de pensarmos que isto não é tudo o que o país precisa, porque nós temos problemas estruturais gravíssimos e precisamos de olhar para o país que temos", prosseguiu Catarina, defendendo que a mudança de que o país precisa será "mais fácil se o Bloco tiver votos e força para isso".

“Uma coisa é fazer convergências sobre matérias centrais, outra coisa é achar que um partido político pode governar com um programa que não é seu”, resumiu a coordenadora do Bloco.

Entre as matérias para as quais será necessário um Bloco mais forte nas eleições, Catarina destaca o reequilíbrio das relações laborais, a recuperação do universalismo do estado social e do controlo público de setores estratégicos, a reconversão energética ou o investimento em áreas relacionadas com o território e as alterações climáticas.

“O país não pode contar que haverá sempre uma conjuntura externa favorável", pelo que  "as questões da estratégia económica para o futuro são fundamentais”, acrescentou Catarina Martins.

"Há talvez setores do PS que consideram que o Bloco de Esquerda pode ser um problema para o objetivo da maioria absoluta"

Quanto às negociações orçamentais, Catarina diz que elas ainda decorrem no debate  na especialidade. "Porque foi tudo negociado muito tarde, muitas medidas aparecem na generalidade mal preparadas, ou seja, nós não só continuamos a ter divergências sobre as quais vamos debater na especialidade para ver se conseguimos resultados - energia, por exemplo - como depois há matérias em que se calhar a divergência não é assim tão grande e a medida foi mal preparada", critica.

Entre essas medidas está o IVA da Cultura, porque "o que apareceu escrito é impossível, é impraticável e, portanto, vai ter de ser revista a medida". Mas também várias propostas sobre habitação, depois do PS e do PSD terem adiado a votação do pacote legislativo para depois do Orçamento. Ente elas estará a taxa contra a especulação imobiliária, que chegou a estar acordada com o governo. Quanto às razões para que o PS tenha vindo depois recuar publicamente sobre essa taxa, Catarina diz julgar que ”a determinada altura o PS teve uma certa vertigem de atuar como se estivesse em maioria absoluta, com que eventualmente sonha, mas não tem”.

"Há talvez setores do PS que consideram que o Bloco de Esquerda pode ser um problema para o objetivo da maioria absoluta e tenham decidido que ganhariam alguma coisa com algum tipo de crispação", acrescentou Catarina, clarificando em seguida que "não é toda a gente que pensa assim no PS", uma vez que já compreenderam que há "um acordo para cumprir e que o Bloco manteve exatamente a mesma postura todos os dias, independentemente das flutuações de outros lados".

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