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Espólio não literário de Cardoso Pires na Torre do Tombo

A PIDE é o principal foco de interesse do conjunto de documentos que a família de José Cardoso Pires doou ao Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Por isso, adianta o diretor desta instituição, é provável que estivesse na calha um livro sobre este tema.

Os manuscritos literários de José Cardoso Pires estão na Biblioteca Nacional. E a partir de agora, o seu espólio não literário vai passar a estar no Arquivo Nacional da Torre do Tombo (ANTT). São panfletos, fotografias, bilhetes de espetáculos entre vários outros documentos organizados em dossiers de estudo.

A maior parte dos documentos tem como objeto a polícia política do Estado Novo. Mas há também um dossier sobre a Frente de Acção Popular, organização fundada por Francisco Martins Rodrigues com Rui d'Espinay e João Pulido Valente.

No que diz respeito à PIDE, encontram-se materiais oferecidos na altura de um visita de escritores às instalações da PIDE em maio de 1974: fotografias, como por exemplo da prisão do então diretor da PIDE, Silva Pais, manuais da escola técnica daquela polícia, entre outros. E materiais provenientes de outras fontes como a cópia do relatório da morte do artista plástico José Dias Coelho, assassinado pela PIDE, ou um comunicado a acusar a polícia política do assassinato de José Ribeiro dos Santos.

Há também outro material referente ao Estado Novo como partes do processo judicial que levou à deportação de Mário Soares para São Tomé, recortes que mostram a censura à imprensa, cartazes como o da Queima das Fitas de 1969, uma carta dirigida a Américo Thomaz, assinada, para além de Cardoso Pires, por João José Cochofel, Carlos Oliveira, Rui Grácio, Raul Rego, José Gomes Ferreira e Augusto Abelaira entre outros e que se manifestava contra a apreensão de obras literárias e em defesa da liberdade de expressão.

Silvestre Lacerda, diretor do ANTT, em entrevista à Lusa, avança com a hipótese dos dossiers terem como objetivo a escrita de um trabalho literário ou jornalístico: “trata-se de documentação que ele estava a recolher para, eventualmente, a sua atividade criativa ou jornalística”.

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