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Especialistas de saúde criticam plano do Governo para combater pandemia no Inverno

Cinco especialistas, entre os quais o ex-diretor-geral da saúde Constantino Sakellarides, defendem a necessidade de uma estratégia coordenada que evite o colapso das urgências. A pandemia e a gripe podem criar “uma tempestade perfeita” no SNS, dizem.
Urgências hospitalares. Foto de Paulete Matos.
Urgências hospitalares. Foto de Paulete Matos.

Luís Campos, Kamal Mansinho, Paulo Telles de Freitas, Victor Ramos e Constantino Sakellarides assinam o artigo “Os desafios dos Hospitais perante a Covid-19 e a Gripe Sazonal durante o Outono-Inverno de 2020-2021”, publicado no jornal científico da Ordem dos Médicos, o Acta Médica Portuguesa.

Neste texto, defendem que “a possibilidade da coexistência de uma segunda vaga da pandemia de COVID-19, com uma epidemia simultânea de gripe e de co-circulação de outros vírus respiratórios sazonais cria o cenário para uma tempestade perfeita”. Por isso, defendem a necessidade de uma estratégia coordenada e uma “atuação a montante” para evitar o colapso das urgência hospitalares, tendo em conta que somos o país europeu no qual mais se recorre a estes serviços.

O Plano da Saúde para o Outono/Inverno, apresentado pelo governo, é criticado por ser tardio, “muito intencional e pouco operacional, verificando-se a ausência de um enquadramento estratégico, priorização das medidas, quantificação, um cronograma, definição de responsabilidades, financiamento associado, gestão dos recursos humanos e procedimentos em caso de sobrelotação”.

Para além disso, este plano “não presta atenção às necessidades dos profissionais de saúde, muito acentuadas por esta crise”, sustentam. A possível entrada “numa nova fase de cancelamento da atividade programada com consequências catastróficas para a saúde das populações” é outro do foco das preocupações destes especialistas.

Sakellarides foi diretor-geral de Saúde e é professor Catedrático Jubilado da Escola Nacional de Saúde Pública, da Universidade Nova de Lisboa. Victor Ramos é docente nesta mesma instituição,

Luís Campos e Kamal Mansinho integram o Hospital São Francisco Xavier e a Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa e Paulo Telles de Freitas é diretor do Serviço de Medicina Intensiva do Hospital Fernando da Fonseca.

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