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Especialistas alertam que covid-19 ameaça acesso a saúde sexual e reprodutiva

Taxas de gravidez não planeada caíram a nível global. Contudo, a crise pandémica pode reverter esta situação. Respostas à covid-19 traduzem-se em dificuldades no acesso a contracetivos e à interrupção voluntária da gravidez em condições de segurança.
Contracetivos. Foto Esquerda.net
Contracetivos. Foto Esquerda.net

De acordo com um estudo do Instituto Guttmacher e do Programa de Reprodução Humana da ONU (HRP), citado pelo Guardian, as taxas globais de gravidez indesejada caíram de 79 por 1.000 mulheres de 15 a 49 anos em 1990 para 64 em 2019. Esta redução foi possível graças em parte devido ao esforço conjunto para aumentar o acesso a contracetivos. Ainda assim, estes organismos manifestam a sua preocupação face à possibilidade de décadas de progresso nesta área poderem ser postas em causa pela covid-19.

Zara Ahmed, representante da Guttmacher, deixou o alerta: "A Covid-19 pode reverter esses declínios face a desafios com a cadeia de distribuição, desvio de fornecedores para a resposta [à covid-19] e falta de acesso a instalações de saúde durante o confinamento".

Ahmed afirmou que a pandemia está a evidenciar as lacunas existentes nos serviços de saúde, sendo que alguns governos já transferiram recursos dos serviços sexuais e reprodutivos básicos para as respostas à covid-19.

Em abril, o Instituto previu que apenas uma queda de 10% nos serviços nos países mais pobres poderia resultar em 15 milhões de gravidezes não desejadas, 168 mil mortes de recém-nascidos, 28 mil mortes de mães e 3 milhões de abortos inseguros.

Os resultados da investigação do Guttmacher e do HRP, publicados na Lancet Global Health, revelam que as mulheres nos países mais pobres têm quase três vezes mais hipóteses de ter uma gravidez não planeada do que as mulheres nos países mais ricos - 93 por 1.000 mulheres em países de baixo rendimento, em comparação com 34 em estados ricos. Estima-se que, pelo menos, 22.800 mulheres morram de um aborto inseguro a cada ano.

Ahmed advertiu ainda que, mesmo nos países onde ele é legal, por vezes o aborto não é considerado um serviço essencial durante a pandemia, o que leva à restrição dos serviços. Essa lacunas “podem resultar em casos em que algumas pessoas não conseguem aceder ao aborto, enquanto outras são forçadas a procurar abortos inseguros", vincou.

A Organização Mundial da Saúde aponta que cerca de 270 milhões de mulheres que desejam contracetivos modernos não têm acesso aos mesmos.

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