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Espanha: impasse mantém-se nas negociações de governo

O PSOE continua a recusar participação no governo que o Unidas Podemos exige. Uma "terceira via" proposta por Pedro Sanchez, que passaria por cargos não-ministeriais, também não desbloqueou impasse entre os dois partidos. Novas eleições são cada vez mais prováveis.
A equipa do Podemos à entrada da reunião com o PSOE, 5 de agosto de 2019: Ione Belarra, Pablo Echenique, Alberto Rodríguez, Pablo Iglesias e Victoria Rosell. Foto: Daniel Gago/Podemos.
A equipa do Podemos à entrada da reunião com o PSOE, 5 de agosto de 2019: Ione Belarra, Pablo Echenique, Alberto Rodríguez, Pablo Iglesias e Victoria Rosell. Foto: Daniel Gago/Podemos.

Em Espanha, as negociações para a constituição de governo marcam passo. Segundo o jornal espanhol Público, a estrutura de um governo continua a ser divergência insanável nas negociações entre PSOE e Unidas Podemos, entre um governo minoritário com apoio exclusivamente parlamentar, que o PSOE prefere, e a participação no governo que o Podemos exige.

Uma reunião ontem entre os dois partidos não quebrou o impasse, que dura desde as eleições no final de abril. A proposta mais recente de Pedro Sánchez foi a de estabelecer um acordo programático entre as duas forças, mecanismos para controlar o seu cumprimento, e em seguida negociar a atribuição ao Podemos de cargos em instituições de Estado, que não seriam ministeriais — uma espécie de "terceira via" entre as posições de cada partido. Mas de acordo com o Público espanhol, os socialistas não concretizaram na reunião em que consistiria essa terceira via, nem que cargos públicos poderia implicar.

Pelo lado do Unidas Podemos, fontes do partido adiantaram que propuseram ao PSOE "negociar a sério um governo, um programa, e equipas para desenvolvê-lo", mas este teria recusado. "Vieram apenas apresentar-nos o seu programa eleitoral", declarou um dos envolvidos ao Público espanhol.

As divergências terão começado ainda antes do início da reunião. O PSOE quis fazer uma foto conjunta para a comunicação social antes de início dos trabalhos, gesto que o Podemos recusou e considerou mais próprio de "uma ato de campanha que de uma reunião de trabalho".

Dos dois lados a mensagem oficial foi que voltarão a reunir nos próximos dias, mas as perspetivas de um entendimentos minguam ao mesmo tempo que cresce a impressão de que novas eleições são inevitáveis. "Pelo que vimos de Pedro Sánchez nos últimos dias e hoje [quinta-feira], só há duas hipóteses: ou Sánchez já decidiu levar-nos a eleições, ou está à espera do último minuto para fazer uma proposta" de coligação", adiantou uma fonte do Podemos ao Público.

Também Ione Belarra, participante nas negociações e porta-voz adjunta do Podemos no Congresso, foi crítica em declarações à TVE e no Twitter. Acusou o PSOE de mudar repetidamente de posição, criando novos obstáculos sempre que o Podemos dá um sinal de abertura, como quando Pablo Iglésias abdicou de um lugar no governo. "É difícil negociar quanto te aproximas tanto de um parceiro na negociação, e quanto mais te aproximas mais ele se afasta de ti", afirmou à TVE. Reiterou também a crítica ao PSOE de ter transformado a reunião num espetáculo mediático: "Pensámos ingenuamente que íamos a uma reunião de trabalho. Se era outra coisa, não sei que se possa dizer".

 

 

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